Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 11/06/2020

Na animação ‘‘Meu Malvado Favorito’’, Gru adota três irmãs. Fora da ficção, a realidade é bem diferente, visto que existem vários desafios na adoção. O Brasil tem 44 mil crianças e adolescentes atualmente vivendo em abrigos, segundo o Cadrasto Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA). Isso ocorre tanto pela exigência dos adotantes quanto pelo processo de adoção.

Em primeiro plano, vale ressaltar a exigência dos adotantes como um dos problemas. Segundo dados do Cadrasto Nacional de Adoção (CNA), 1226 crianças foram adotadas em 2016, em contrapartida, 7158 crianças estavam aptas à adoção, mas não tinham o perfil que pais pretendentes procuravam. Os pais preferem crianças mais jovens e brancas, e com isso fazem a adoção demorar mais e fazem com que muitas não sejam adotadas e fiquem no abrigo até fazerem 18 anos.

Em segundo plano, vale ressaltar o processo de adoção como um dos problemas. Em 1990, com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente -Eca- através da Lei nº 8.069/90, os processos de adoção foram facilitados. O documento põe em evidência os interesses do adotando (filho) e estabelece como principal objetivo o processo de adoção assegurar o bem-estar. Mesmo com isso, o processo de adoção no Brasil é demorado, fazendo com que pais desistam de adotar.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para a solução de adoção no Brasil. A Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (Angaad) deve estabelecer parcerias com ONGs e com a mídia, fazendo palestras sobre conscientização da adoção tardia e mostrar crianças que precisam de família, motivando os pais a não desistirem da adoção, e com a mídia, melhorar a abordagem do assunto em noticiários e redes sociais, para as pessoas saberem mais sobre o assunto e também para divulgar as palestras feitas pelas ONGs, com objetivo de aumentar as adoções no Brasil, fazendo com que os jovens creçam em um lar com uma família.