Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 23/06/2020

O filme “Meu malvado favorito” é um longa-metragem infantil que retrata a vida do super vilão Gru, um homem que enfrenta o desafio de cuidar de três irmãs órfãns, Margot, Agnes e Edith que querem tê-lo como pai. Entretanto, fora das telas do cinema, o processo adotivo é muito mais complexo que oque foi retratado na animação, principalmente, no Brasil onde, seja pela não aceitação do acolhimento quando são irmãos, seja pela padronização física, à adoção ainda configura um grande desafio a ser superado.

A princípio, é imperativo pontuar a falta de empatia e acolhimento por parte do adotante, quando se trata em questão de irmãos . Nesse sentido, aproximadamente 60% dos brasileiros dispostos a adotar não querem acolher irmãos, tomam essa decisão por não terem condição de amparar duas crianças, porém na maioria das vezes é simplesmente pelo fato do irmão ser mais velho, e para tais seria mais fácil e viável à adoção de um menor. Por conseguinte, mesmo como o número de pessoas interessadas em adotar sendo doze vezes maior que a quantidade de crianças disponíveis , ainda assim, muitas delas passam a vida em abrigos públicos.

É imprescindível pontuar as consequências da problemática, a partir do individualismo da coletividade. A esse respeito, de acordo com o Ministério Púbico do Paraná, cerca de 5 mil crianças e adolescentes cadastradas no Brasil, 91,94% têm mais de seis anos de idade, 19,06% são negras e 35,21% têm algum problema de saúde ou deficiência. Nesse viés, essas três características reduzem sensivelmente as chances de adoção, em função das exigências dos candidatos a pais. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, entre os 42.480 pretendentes à adoção, 86,73% não aceitam adotar crianças com mais de seis anos de idade, 44,53% não querem adotar crianças negras e 62,01% não concordam em adotar crianças com problemas de saúde ou alguma deficiência.

Portanto medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, cabe ao Estatuto da Criança e do adolescente (ECA) estimular e promover campanhas de conscientização voltadas à famílias adotivas, por meio de todos os tipos de comunicação. Essa iniciativa, teria a finalidade de conscientizar as pessoas abordando o tema adoção e seus impasses, desconstruindo certos padrões físicos na hora da escolha, e mostrando como é importante o laço familiar dessas crianças, e incentivando os pais a adotarem irmãos e pricipalmente aos projetos de apadrinhamento. Dessa forma, espera-se com essa medida que possa ser freado os desafios no combate as adversidades no processo de adoçao.