Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 25/09/2020
Desde a antiguidade, praticamente todos os povos - hindus, persas, hebreus, romanos, gregos - praticavam o instituto da adoção, acolhendo crianças como filhos naturais no seio das famílias. No entanto, essa prática não é tão simples na modernidade. Ora, tanto pelo preconceito disfarçado de exigências quanto pela dificuldade e demora do processo adotivo.
Tal discriminação é nítida em abrigos, não só pela cor, mas também por exigir bebês ou crianças somente ‘‘bonitas’’. Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) 1226 órfãos foram adotados em 2016, em contrapartida, 7158 estavam aptas à adoção mas não tinham o perfil que os pais pretendentes procuravam, caso do menino rejeitado por três casais heterossexuais por ser ’’ feio e negro demais’’, mas que teve seu final feliz adotado por um casal homossexual em Capelinha(MG).
Ademais, além desse impasse na ‘’escolha’’, ainda há o obstáculo do processo de adoção, que é geralmente extenso e exaustivo. Por lei, essa destituição deveria durar, no máximo, 120 dias, mas na prática, leva até cinco anos. ’’ enquanto se perde um tempo precioso à procura de parentes biológicos sem vínculo afetivo, a criança envelhece nos abrigos’’, alerta a advogada Silvana do Monte. Assim, com processos tão demorados, muitos pais desistem da adoção ou nem sequer iniciam.
Portanto, nota-se a necessidade de mudar essa realidade. Sendo assim, é substancial que grupos de apoio a doação(GAA) sejam amplamente divulgados por meio de palestras em faculdades e compartilhamento em redes sociais para que haja uma maior compreensão e preocupação com os que geralmente são ‘’esquecidos’’ no orfanato. Além disso, é oportuno que o Ministério da Justiça reduza o tempo de espera para a adoção, através de prazos mais curtos e seguidos estritamente, e contratação de mais funcionários para acelerar o processo. Para que assim, crianças e adolescentes sejam acolhidos como filhos naturais no seio das famílias.