Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 07/07/2020

O “Super-homem”, personagem da literatura infantil, foi abandonado por seus pais biológicos do planeta Kripton, posteriormente fora adotado e criado por um casal de humanos. Nesse sentido, no século XXI, no Brasil, os impasses nos processos de adoções são constantes, o qual ocorre, evidentemente, devido à cultura dos laços de sangue, como também o preconceito étnico-racial enraizado na biocenose.

Preliminarmente, é pertinente elencar que a supremacia do vínculo biológico é um obstáculo para a resolução dessa problemática. Nessa perspectiva, no século XVII, em diversos pais da Europa, desenvolveu-se o costume de valorização da ligação consanguínea sendo apontada com superioridade. Desse modo, segundo o jornal O Globo, o preconceito mais grave da população sobre a adoção está relacionado ao desconhecimento acerca da herança genética. Portanto, indubitavelmente, a proeminência da família patriarcal é um empecilho, haja vista as novas configurações familiares existentes, assim como retratado na literatura infantil.

Outrossim, é fundamental analisar que a discriminação racial dificulta a solução desse infortúnio. Sob esse ponto de vista, na série norte-americana “Grey’s Anatomy” a protagonista, Meredith Grey, enfrenta diversos problemas legais e raciais ao iniciar o processo de adoção de um bebê africano. Dessarte, conforme o portal de notícias G1, aproximadamente 60% dos pretendentes recusam-se adotar crianças negras. Logo, indiscutivelmente, a intolerância étnico-racial é presente detendo, dessa maneira, as demandas afetivas, indo em contramão às atitudes vigentes na série americana.

Em vista dos fatos elencados, são necessárias medidas que extingam a cultura das relações consanguíneas, bem como o preconceito étnico. Destarte, cabe ao Ministério da Cidadania criar projetos, por meio de palestras que busquem anular a herança cultural europeia, como eventos em institutos públicos e privados, com a finalidade de dizimar a preeminência das relações biológicas assegurando, por conseguinte, uma família às crianças órfãs. Ademais, o Ministério da Educação deve estabelecer programas sociais, como debates e workshops, por intermédio de psicólogos e profissionais capacitados que estimulem uma compreensão sobre uma sociedade multirracial, com o objetivo de dissolver padrões preconceituosos no corpo social.