Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 20/07/2020
“As contas não batem” é a frase que define o contexto atual. Sabe -se que o número de pessoas interessadas em adotar é doze vezes maior que a quantidade de crianças disponíveis para adoção. Tal fenômeno perpetua - se devido aos perfis idealizados pelos futuros pais e a burocracia no processo de legitimação no Brasil. Dito isso, milhares de adolescentes perdem a oportunidade de ganhar uma família.
Inicialmente, é notório os meios desagradáveis e obrigatórios necessários para conseguir o reconhecimento legal do adolescente como filho. Ao analisarmos a novela “Chiquitas” do SBT, é possível perceber as dificuldades encontradas pela personagem “Carol” ao tentar adotar uma das órfãos. Fica evidente a morosidade e as irregularidades presentes no processo, quando ela apresenta todos os documentos corretos e o juiz nega seu pedido. Logo, muitos pais desistem da ideia devido a dificuldade do processo que pode durar vários anos.
Além disso, os dados do Cadastro Nacional de Adoção mostram o descompasso entre o perfil desejado diante dos futuros filhos adotivos. Segundo o CNA a maioria das famílias espera por crianças brancas, sem irmãos e com menos de quatro anos. Entretanto, a maioria das pessoas que moram nos orfanatos não se encaixam nos perfis exigidos. Essa realidade preconceituosa garante a dificuldade de zerar a fila de espera e esvaziar os orfanatos no país.
Em virtude dos fatos apresentados, o Governo Federal deve incentivar e financiar campanhas publicitárias que incentivem a adoção por amor, de todas as cores e idades para que esse prejulgamento seja combatido e todos as crianças possam receber um lar igualmente. Ademais, cabe ao CNA em conjunto com o Estatuto da Criança e do Adolescente criar mecanismos que acelerem e facilitem o processo de adoção. Por fim, feito isso, as contas poderiam finalmente bater.