Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 21/07/2020

Segundo a psicologia e sociologia, os pais são a maior referência no desenvolvimento do indivíduo, influenciando diretamente nas primeiras etapas de seu aprendizado cognitivo. Porém, há crianças e adolescentes que não podem ser criados por seus pais biológicos, precisando passar pelo processo de adoção. Contudo, há desafios nesse processo, causados principalmente pelo preconceito da população, corroborado pelo Estado, que acarreta na permanência de muitos jovens sem lar, que sofrem com consequências sociais e psicológicas negativas.

Em relação a isso, cada criança acolhida possui em torno de seis potenciais pais segundo o CNJ, ou seja, os abrigos deveriam estar vazios, já que a procura é maior do que o disponível. Entretanto, o que ocorre é a permanência deles na fila de espera por não se encaixarem nas exigências dos adotantes: a maioria aceita somente bebês, brancos e sem nenhuma deficiência. Tal fato é um grande desafio no processo adotivo brasileiro por ser alheio à realidade, já que a maioria dos acolhidos não se enquadram nesse perfil. Por conseguinte, essas características biológicas imútáveis, devido ao preconceito, os impedem de conseguir uma família.

Nesse cenário, os milhares de crianças e jovens que crescem sem conseguir uma família, ao alcançarem a maioridade, não podem mais morar nos abrigos. Eles sofrem então com a dor de nunca terem sido adotados e são inseguros sobre o futuro, por vezes, se associando ao crime em busca de uma vida melhor. Segundo o promotor Dairton Costa “se o Estado deixa crianças e adolescentes à margem da sociedade, criam-se marginalizados.” Com efeito, perpetua-se o sofrimento destes cidadãos que não tiveram seu lazer, cultura, dignidade e convivência familiar assegurados, direitos básicos do Estatuto da criança e adolescente violados.

Portanto, para mudar esse cenário nacional, é preciso combater diretamente seus desafios. Para isso, é preciso que o Governo Federal, por meio do MEC, promova aulas socioemocionais nas escolas que combatam o preconceito racial e contra deficientes físicos. Dessa maneira, as futuras gerações serão mais empáticas e tolerantes à adoção de indivíduos não brancos e deficientes, e muito mais crianças e adolescentes poderão ser adotados e ter seus direitos garantidos.