Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 27/07/2020
O filme “Um sonho possível” conta a história real de Michel Oher, um adolescente negro que, após ser acolhido em ambiente familiar estruturado e repleto de amor, se transformou em um grande nome do futebol americano. Todavia, ao contrário da ficção, processo de adoção no Brasil sofre verdadeiros impasses, sobretudo, relacionados à incompatibilidade de perfis e à morosidade do sistema judiciário.
A priori, convém destacar que, segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), existem cerca de cinco candidatos para cada infante disponível para adoção. No entanto, apesar do elevado número de interessados, a grande maioria procura menores de três anos, brancos, saudáveis e sem irmãos. Perfil que representa apenas 7% do quadro apresentado pela plataforma. Nesse sentido, é válido deixar claro que o fito da perfilhação não é satisfazer o desejo do adulto, mas sim garantir a proteção às crianças e aos adolescentes que esperam uma família.
Ademais, o longo tempo de espera para conclusão dos processos potencializa o problema, uma vez que as crianças crescem e torna-se menos aceitas. Pensando nisso, em 2017, foi sancionada uma lei nacional que estabeleceu novos prazos a fim de acelerar as ações. Contudo, de acordo com uma matéria divulgada pelo Jornal Folha de São Paulo, ainda falta estrutura e profissionais para acompanhar a demanda. Dessa forma, não basta apenas querer adotar ou ser adotado, é preciso ter paciência enquanto o Estado se mostra ineficaz.
Sendo assim, tendo em vista a relevância da temática supracitada, o Governo Federal, por meio de campanhas com artistas e influenciadores digitais que apoiam a causa, deve incentivar à adoção de perfis menos aceitos, como crianças pretas e pardas, maiores de 5 anos e grupo de irmãos. O objetivo de tal ação é aumentar os índices de acolhimento no país e mostrar que o amor não tem cor e nem idade. Além disso, é necessário realizar mutirões para agilizar os processos de modo a resolver a situação jurídica daqueles em situação de vulnerabilidade. Desse modo, mais crianças e adolescentes terão oportunidade de viver em um lar, tal como Michel Oher.