Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 14/09/2020

Na obra “A Cidade do Sol”, do escritor italiano Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o processo adotivo no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam os planos de Campanella. Diante disse, cabe analisar tanto os empecilhos burocráticos quanto a carência de empatia como fatores desse contexto, a fim de revertê-los.

Nessa perspectiva, é válido pontuar que por conta da burocracia exagerada, o processo adotivo acaba sendo distante. À vista disso, segundo Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, ou seja, sensação de conforto, segurança e tranquilidade. Entretanto, tais direitos não são assegurados no país devido à baixa ação das autoridades, no que concerne à criação de mecanismos que agilizam o processo de adoção. Dessa maneira, faze-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Outrossim, é imperativo ressaltar que por conta da falta de contato familiar, algumas crianças, adolescentes e jovens não se encaixam nos perfis exigidos pelos futuros pais por escolha. Nesse sentido, de acordo com Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Não há como negar, portanto, que os pais não biológicos, as vezes, não compreendem as dificuldades adaptativas dos adotados e acabam tomando decisões egoístas, como devolver os acolhidos. Dessa forma, tal atitude afeta negativamente o psicológico dos desamparados.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar esse óbice. Logo, cabe ao governo, entidade máxima do poder, estabelecer um plano Federal que facilita as operações adotivas. Tal ação deve ser executada por meio do Poder Legislativo com a validação dessa emenda governamental, com a finalidade de tornar a adoção como um sonho possível. Com tais medidas, espera-se que a utopia do literato seja assimilada.