Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 31/08/2020
Desde a Roma Antiga, a adoção de crianças já era uma realidade na sociedade. Entretanto, com o passar do tempo, houve uma reconfiguração desse processo no Brasil, que passou a privilegiar as menores idades em detrimento das maiores, e o descompasso entre a vontade dos futuros pais de, na maioria das vezes, não querer adotar mais de um filho, dificultam que o número de meninos e de meninas em abrigos chegue a zero.
Primeiramente, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, existem mais de 34 mil crianças e adolescentes vivendo em casas de acolhimento. Dessas, 83% possuem mais de dez anos de idade, configurando um padrão que foge do perfil desejado pela maior parte dos candidatos à adoção, pois, do total, somente 2,7% dos interessados aceitam acolher um adolescente. Considerando os números, esses menores não serão adotados e passarão a adolescência nos abrigos, longe do afeto e dos laços familiares que deveriam possuir. Em decorrência desse fato, ao completarem 18 anos são largados à própria sorte e muitos encontram refúgio na criminalidade e nas drogas.
Paralelamente a isso, as pessoas que recorrem à adoção, seja por problemas biológicos, seja pela vontade de fazer o bem, acabam por optarem pelo filho único, a considerar as dificuldades do século XXI para criar um menor de idade, pois a rotina de um mercado de trabalho competitivo e instável torna a rotina familiar muito dinâmica; logo, ter mais de um filho é quase impossível. Esse fato corrobora a permanência de irmãos em instituições de acolhimento, que, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, chega a 66% do total de crianças aguardando um lar.
Em síntese, a preferência por crianças menores e sem irmãos é um impasse na adoção no Brasil, já que grande parte dos menores em abrigos não configura esse perfil. Portanto, cabe ao governo fomentar a adoção desse excedente em instituições de acolhimento, enviando ao congresso um projeto de lei que assegure aos pais dessas crianças auxílio psicológico e alimentar, para que irmãos sejam adotados e maiores de idade também, a fim de garantir uma boa relação na nova família e de incentivar a adoção. A mídia pode também contribuir nesse processo com a criação de campanhas que estimulem a adoção de crianças maiores de 10 anos, explorando as relações de casos de adoção tardia e que deram certo, demostrando que é importante que todas as crianças conheçam o amor de uma família e que é possível acolher um filho adolescente. Assim, espera-se que a adoção seja tão comum como era na antiguidade e que ninguém fique de fora.