Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 01/09/2020
No filme “De repente uma família” apresenta a situação de casais que buscam adotar uma criança, inicialmente procurando um filho pequeno, como a maioria dos 46,2 mil pretendentes no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), que aguardam pela adoção de um menor no Brasil. Mais de 65% dos adotantes preferem crianças menores de 3 anos, e isso se torna alarmante por diferir muito da realidade dos abrigos, onde cerca de 5 mil das 6 mil crianças aptas já ultrapassaram essa idade, de acordo com a revista Crescer.
É importante ressaltar que quanto mais velho o menor fica mais raro é a aparição de uma família disposta a adota-lo. apenas 4,52% dos pretendentes da CNA procuram crianças de 8 anos, em um sistema onde 53% dos brasileiros aptos à serem adotados tem entre 10 e 17 anos. Ao atingirem a maioridade, jovens que muitas vezes passaram a vida inteira em abrigos ou passando de uma família para outra, traumatizados com a rejeição, são obrigados a deixar a unidade de apoio, e pela situação de vulnerabilidade, sem família e muitas vezes com defasagem escolar, são facilmente inseridos no mundo das drogas e prostituição, afinal nem todos conseguem emprego ainda nos abrigos.
Essa trágica realidade é claramente representada no filme “De repente uma família”, onde a adolescente Lizzy já não tinha esperanças de ser adotada e traz consigo muitas magoas, sendo confortada apenas pela presença de seus dois irmãos mais novos. No Brasil, apenas 37% dos pretendentes aceitam crianças que possuem irmãos. A falta de famílias dispostas a receber esses jovens faz com que milhares de adolescentes passem toda sua juventude em abrigos e quando saem são logo substituídos por outros que também cresceram nessa realidade. A falta de convivência e cuidado familiar, as diversas dificuldades enfrentadas por crianças tão jovens causam impactos significativos no seu desenvolvimento, logo refletidos na sociedade uma vez que atingem a maioridade.
Levando em consideração os aspectos apresentados, é visível que há falhas nos processos de adoção no Brasil. Um novo sistema deve ser adotado pelo CNA em parceria com juízes da Vara de Infância e Juventude, para fazer com que os processos de adoção sejam acelerados e as crianças aptas encontrem uma família o mais cedo possível, assegurando que não percam a oportunidade de ter um lar por envelhecerem após esperar em um sistema muito lento. As taxas de procura por menores que possuem irmãos já é baixa, mas tendem a diminuir mais ainda quando os mesmos crescem. Adicionalmente, o governo federal deve promover campanhas e divulgar propagandas em horário nobre retratando diferentes modelos de famílias visando encorajar brasileiros a ampliarem seus padrões e enxergarem que crianças pequenas não são a única opção.