Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 11/09/2020
Na série “Anne with an E”, a protagonista é uma órfã de 13 anos, que após sua infância abusiva passada em orfanatos, foi enviada por engano a um casal de irmãos. Apesar de desejarem um menino, Anne conquistou seus corações e pouco depois já era membro da família. Similarmente, no Brasil há diversas crianças em busca de uma família, contudo, as exigências propostas pelos adotantes tornam a perfilhação um moroso processo.
A priori, vale notar que de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são 4,94 pais na fila para cada criança disponível, evidenciando a discrepância entre os perfis desejados pelos adotantes e a realidade encontrada nos abrigos. Conforme o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 65,89% dos brasileiros interessados em adotar não desejam crianças com irmãos, em contrapartida, 65,68% delas possuem. Outro impasse é a adoção tardia, apenas 0,16% dos futuros pais desejam adotandos acima de 15 anos.
Somando ao supracitado, estereótipos e padrões sociais, bem como cor de pele, etnia e a existência de doenças, criam barreiras na hora da adoção. Analogamente à frase dita por Albert Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito”, visto que, 70% dos pretendentes desejam crianças brancas, segundo o CNA.
Depreende-se, portanto, que a perfilhação no Brasil necessita de inúmeras mudanças. Nesse viés, cabe à mídia, enquanto formadora de novos comportamentos, e ao Ministério da Educação, divulgar campanhas em rádios e na televisão e promover palestras em escolas. Com o intuito de desconstruir o preconceito racial ainda existente na sociedade brasileira e estimular a adoção e valorização das diferentes características das crianças que esperam por uma família, para que assim, a história de Anne não permaneça apenas na ficção.