Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 10/09/2020
O seriado americano “New Amsterdan” retrata o difícil processo relacionado a adoção de crianças. Sob esse viés, é notório os impasses da adoção no Brasil, pois de acordo com o Conselho Nacional de Justiça, os números relativos aos processos de perfilhação apontam uma quantidade maior de candidatos querendo adotar do que crianças para serem adotadas, o que corrobora um agravante social. Ao se avaliar as razões para tamanha adversidade vê-se a morosidade nos processos que viabilizam a adoção e ao perfil idealizado pelos adotantes. Desse modo, é necessário que a sociedade em geral, aliada ao Estado, atue, de maneira engajada a fim buscar soluções à atual conjuntura.
É indubitável pontuar, inicialmente, apesar de fundamental para a proteção dos infantes, a necessidade de mediação da Vara da infância no vínculo entre adotados e adotantes forma o processo complicado e demorado. Sob esse prisma, é válido mencionar a premissa de Max Weber, definiu o ato da burocratização como uma medida de estruturação formal das ações humanas, com a finalidade de promover atividades assertivas a longo prazo. Porém, no sistema brasileiro, em há pouco investimento no que tange a capacitação de profissionais no sistema de adoção, esses mecanismos acarretam processos demorados e, assim, podem gerar, em alguns casos, a desistência de adultos na consolidação do procedimento supracitado. Isso, é confirmado pelo portal de notícias do G1, ao notificarem que muitos reconhecimentos legais de crianças são anulados pela longa espera judicial. Logo, é substancial medidas governamentais para reverter o quadro relacionado a burocracia.
Outrossim, é imprescindível ressaltar que infelizmente, há evidente diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e as crianças disponíveis para serem adotadas. Nesse contexto, de acordo com o filósofo Jhon Locke- A sociedade nasce como uma folha em branco e, ao longo da trajetória de formação cidadã, cria personalidades a partir de suas vivências. Dessa forma, é preocupante o cenário de descriminação racial presente, uma vez que muitos adotantes impõe manifestações genotípicas como empecilho. Como consequência, há uma problemática no sistema de adotivo, tendo em vista, que segundo o Conselho de Justiça, 65% dos jovens a espera de um lar são negros ou pardos.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática na sociedade. Para tal, as ONGS amparadas por representantes como centros de apoio à criança e ao adolescente devem promover a implementação de campanhas anuais de incentivo à adoção com estímulo à perfilhação de perfis não muito aceitos, como crianças acima de 5 anos de idade e grupos de irmãos, por exemplo, objetivando o aumento de índices de acolhimento no país e dar a mais crianças a oportunidade de terem um lar. Assim, contrariando o exposto no seriado “New Amsterdan”.