Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 18/09/2020

Dantes , no começo da Idade Média, a intensificação das guerras e a falta de métodos para salvar a vida da mãe durante o parto, fez com que muitas crianças ficassem órfãs, recorrendo a abrigos sem infraestrutura adequada ou vivendo a margem da sociedade da época. Hodiernamente, apesar dos avanços nas estruturas dos abrigos e em sua expansão no Brasil, ainda é notável os desafios enfrentados pelas crianças no momento da adoção, acarretando nas longas esperas dos menores nos orfanatos. Desse modo, tal impasse é consequência tanto pelas falhas e complexidade no processo de adoção nacional, quanto nas altas exigências dos perfis das crianças e adolescentes.

Em primeiro plano, vale analisar a presença das expectativas esperadas na criança ou adolescente a ser adotado e suas consequências no ato de adotar. Nesse sentido, a série norte-americana “Anne With An E” apresenta a história da protagonista Anne que é adotada por engano, uma vez que esperavam um menino, a revelação do gênero não é bem recebida pela idealização prévia de um perfil pelos pais adotivos, problema muito recorrente no sistema de adoção brasileiro. Dessa maneira, é imprescindível a mudança desse cenário em prol de evitar frustrações quer seja pelos adotantes, quer seja pelos adotados.

Em segundo plano, o perfil exigido pelas famílias, grupos de irmãos e problemas de saúde são fatores que tornam o processo de adoção no Brasil burocrático e lento, acarretando em desistências das famílias e maiores esperas das crianças e jovens a serem adotados. Ademais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que tratam de adoção, vem criando novas leis para a melhoria dessa situação no pais, com o intuito de que esses adolescentes possam ser adotados mais facilmente. Dessa forma, é necessária a compreensão e empatia das famílias para com esse público, considerando o bem-estar da criança e do adolescente e a necessidade de um lar, independente de idade, saúde ou grupo de irmãos.

Portanto, cabe aos órgãos governamentais, por meio de incentivos e de maiores investimentos, direcionar apoio extra as Instituições responsáveis para a adoção, em que tornaria mais rápido e correto o ato de adotar, com o fito de evitar enganos e demoras na adoção. Além disso, as Prefeituras Municipais, com apoio de assistentes sociais, poderiam promover ações de conscientização, mediante palestras e debates sobre adoção e a importância de visar mais a vida dos adolescentes do que as exigências feitas pelas famílias, a fim de diminuir a quantia de jovens que não tem lar devido a idade, grupo de irmãos ou problemas de saúde que não são aceitos pelos adotantes.