Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 28/09/2020
O clássico literário canadense “Anne of Green Gables” conta a história de Anne Shirley, uma adolescente órfã de 13 anos que é adotada por engano por um casal de irmãos - que esperava que ela fosse um menino. Inicialmente, ela não foi bem recebida por fugir do padrão de criança que eles esperavam. Analogamente, na sociedade atual, pode-se perceber famílias com um grande desejo de adotar crianças, porém exigindo um padrão que, muitas vezes, não bate com a disponibilidade dos orfanatos, atrapalhando a logística e superlotando eles, enquanto esperam a “criança perfeita”.
Mormente, é válido perceber que, apesar de muitos casais se interessarem em adotar, ainda há um preconceito acentuado nessas questões. Esse é na maioria das vezes racial, já que muitos só adotam crianças brancas. Além disso, tem a questão da idade, porque algumas famílias não querem crianças maiores de 4 anos. Sendo assim, enquanto algumas famílias escolhem tanto, baseando-se nesses critérios, outras crianças esperam ansiosas - devido às péssimas condições dos orfanatos no Brasil.
Nesse mesmo sentido, na série “This is us” são mostradas diversas situações de desconforto que os filhos adotados passam, tanto na escola quanto na própria família. Nela, o menino Randall precisa estudar em uma escola diferente dos seus irmãos, visto que mesmo tendo renda suficiente para estudar em um colégio particular, é alvo de preconceito e bullying de diversas formas. Bem como há uma cena em que a própria avó o trata diferente por ser adotado e negro, até que seus pais decidem parar de ir aos almoços de família para evitar esse tipo de constrangimento.
Infere-se, portanto, que apesar da grande quantidade de pais com o desejo de adotar crianças, ainda há um preconceito externo e das próprias famílias. Desse modo, faz-se necessário o aumento do diálogo acerca desse tema, que é sempre evitado e oculto. Isso pode ser feito por meio do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, na organização de lives no Youtube ou outras plataformas de streaming, com depoimentos de famílias com seus filhos adotivos, mostrando como se deve acolher e incluí-los, pois eles não deixam de ser menos filhos apenas por não serem do mesmo sangue. Somente assim, esse assunto deixará de ser um tabu e o preconceito será mitigado.