Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 03/10/2020

Na série de televisão canadense da Netflix “Anne With na E”, a protagonista Anne empenha-se na procura de uma nova família após a viver anos em um orfanato. Nesse espectro, para acompanhar as exigências firmadas pela sociedade, a personagem defronta vários entraves para ser notada e aceita por uma família. Dessa forma, o seriado de TV análogo aos dilemas contemporâneos brasileiros assemelham-se as objeções no processo de adoção, já que a esteriotipação genética e o imediatismo parental cristalizam esse cenário.

A priori, na obra “Modernidade Líquida”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o mundo moderno é caracterizado como um conjunto de aceleradas e fluidas relações sociais. À luz disso, a idealização de ter um filho com o próprio Ácido Desoxirribonucleico persiste, uma vez que um indivíduo com o genótipo díspar reflete a imagem de uma relação líquida para os pais. Frente à esse prejulgamento, a adoção no país tornou-se fatigante.

Outrossim, o frenético ritmo do corpo social diverge com as etapas para a legitimação de uma criança. Devido à isso, muitas pessoas desistem na metade do sistema de adoção. De acordo com os dados divulgados pelo Senado Federal “O Brasil apresenta 5.500 crianças em condições de serem adotadas e quase 30 mil famílias”, o que reflete a expansiva quantidade de famílias com o propósito de adotar frente a burocratização em conjunto com a ânsia de formar uma nova família. Dessarte, precisa-se de poderes hábeis para sanar os obstáculos que comprometem o processo de adoção.

É notório, portanto, a relevância dos fatos genéticos e imediatos na problemática supracitada. Nesse sentido, é dever do Estatuto da Criança e do Adolescente, por intermédios dos veículos de comunicações, divulgar a importância e como que funciona o processo de adoção, com desígnio de quebrar quaisquer preconceitos relacionados, a fim de encorajar aproximadamente essas 30 mil famílias a adotarem. Ademais, cabe ao Governo Federal a facilitar os meios de adoção reformulando as normas requeridas, para que o imediatismo deixe de ser um coeficiente para o apadrinhamento, com objetivo de garantir o máximo de crianças uma família.