Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 12/10/2020

A animação “Meu Malvado Favorito” retrata a história de Gru, que quer ser visto por todos como vilão e tem o sonho de ir até a lua. No entanto, Gru se depara com uma missão maior que é adoção de Agnes e suas duas irmãs. Fora da ficção, a realidade torna-se distante, uma vez que há muitos impasses no processo de adoção, seja pela especificidade no perfil das crianças, seja pela burocracia na papelada. Logo, medidas sociais e jurídicas são necessárias para atenuar esse impasse.

Em primeira análise, as particularidades que os pais exigem no perfil das crianças age como catalisador dessa problemática. Tal seletividade também ocorria em Esparta na Grécia Antiga, quando o conselho dos anciões da cidade-estado decidia sobre a continuidade ou não da vida do bebê, caso fosse considerado inapto para a vida militar (tivesse alguma deficiência), as crianças eram mortas. De forma análoga, os pais que são dispostos a adotar são bem seletivos e específicos, como em alguns casos em que a criança a ser adotada possui irmãos, ou alguma deficiência e, por conta disso, não é escolhida. Desse modo, repensar essa forma de agir é substancial para entender que todos possuem o mesmo valor e apenas precisam de uma família para dar e receber afeto.

Outrossim, a burocracia e lentidão na justiça corroboram para retardar esse processo. Isso porque acontecem entrevistas, verificação da renda e várias outras etapas que atrasam e/ou desaceleram essa batalha. O que comprova esse fato são os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que apontam que no Ceará, existem 450 pessoas na fila para adotar uma criança e somente 90 meninos e meninas se encontram disponíveis para adoção. De fato, enquanto houver impeditivos para o processo de adoção, diversas crianças continuarão sem um lar no estado e no restante do país.

Depreende-se, portanto, que há muitos impasses no processo de adoção e isso precisar mudar. Para tanto, cabe a mídia, como maior formador de opinião pública, mudar o pensamento dos “futuros pais" sobre a adoção, por meio de propagandas televisivas que exponham que todas as crianças desejam da mesma forma ter esse vínculo afetivo, sobretudo aquelas que estão a mais tempo no orfanato, com o fito de provocar uma reflexão nos pais ao tomar a decisão na hora de adotar. Ademais, é papel do Poder Público, acelerar o processo de adoção, por meio de medidas que priorizem os pais que queiram adotar adolescentes ou crianças juntamente com seus irmãos, afim de diminuir a preferência por filhos únicos e reduzirem as estatísticas sobre essa faixa etária. Desse modo, o número de adoções vai aumentar e haverá um corpo social mais justo, diferente de Esparta.