Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 04/10/2020
No anime “The Promissed Neverland”, um grupo de crianças são criadas em uma casa de adoção por uma mulher chamada de “mãe”. Nesse contexto, ao longo da narrativa, essa casa, na verdade, se mostra ser uma fazenda em que as crianças são treinadas, por meio de provas, para o aprimoramento intelectual e colocadas como mercadorias de acordo com a sua inteligência. Fora da ficção, é possível relacionar essa obra com a questão da adoção no Brasil: as crianças e os adolescentes adotados são escolhidos de acordo com um estereótipo, o que causa uma segregação entre os que são adotados e os que não são.
Em primeira análise, é importante ressaltar que, em função das raízes históricas do Brasil - no período colonial, por exemplo, em que os os portugueses brancos eram considerados superiores aos escravos negros - há uma preferência por crianças brancas ao adotar em detrimento das negras e das pardas - no Cadastro Nacional de Adoção, observa-se que há cerca de 40% a mais de pretendentes à adotar indivíduos brancos do que os que pretende adotar negros - e, além disso, questões como saúde e idade, também, influenciam intensamente na adoção. Dessa forma, apesar de existir mais pessoas interessadas em adotar do que crianças disponíveis para adoção, muita dessas não são adotadas por não se enquadrarem nas preferências da sociedade - que, geralmente, são loiro, branco de olhos azuis e sem nenhuma deficiência.
Em segunda análise, é imprescindível destacar que, em razão do preconceito ao adotar, as casas de acolhimentos ficaram marcadas por crianças e adolescentes de determinada cor, idade e condição de saúde, que, raramente, são adotadas. Nesse sentido, essas casas transformaram-se em um tipo de “eugenia nazista”, em que somente um estereótipo é escolhido - tipo a raça ariana no nazismo -, e os outros são esquecidos e, futuramente, marginalizados da sociedade - já que não tiveram uma educação familiar que é de suma importância para a formação moral do indivíduo. Portanto, faz-se necessário a conscientização da sociedade sobre a adoção e suas consequências na vida de uma pessoa para mudar esse quadro.
Diante do exposto, para aumentar os números de adoções no Brasil é mister que o Ministério da Educação, juntamente com o poder midiático, estimule, por intermédio de campanhas, nos programas de TV e nas redes sociais, que demonstrem que, independente da cor, da idade e da condição de saúde, uma criança sempre traz felicidade para dentro da família, a diversidade na adoção a fim de acabar com o estereótipo na adoção. Assim, será possível mudar o pensamento da sociedade a respeito da adoção e diminuir a quantidade de indivíduos carentes nas casa de adoção.