Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 07/10/2020

No Brasil, a proporção de famílias interessadas em adotar crianças para o número de órfãos é de 8 para 1. No entanto, milhares de crianças ainda se encontram em situação de orfandade, muitas delas até chegam à maioridade e ainda esperam por um lar. Desse modo, cabe analisar as causas desse problema.

Em uma primeira análise, destaca-se que a morosidade no processo aliado a burocracia pode contribuir para que muitas crianças ainda permaneçam em orfanatos. É evidente que apresentar a documentação correta e estar dentro do padrão exigido para adotar uma criança é necessário, porém, quando esse processo demanda uma papelada e demora mais que o esperado, é comum que a família acabe desistindo da adoção e, consequentemente, o órfão voltando para a lista de espera. Portanto, fica visível que a lentidão e o excesso de documentos favorecem a persistência de crianças em orfanatos.

Além disso, a preferência racial é outro fator que colabora com a permanência das crianças nos orfanatos. Isso acontece porque muitas famílias tem como opção apenas crianças brancas, loiras, de olhos claros e do sexo feminino. Contudo, órfãos com esse perfil são minorias nos orfanatos. Dessa forma, fica claro que preferências raciais são um entrave no que se refere o processo de adoção de crianças.

Logo, é necessário que o Poder Legislativo, por meio de reformas no processo de adoção de crianças, torne esse sistema menos lento e burocrático, para que menos famílias desistam da adoção devido a essas dificuldades. Ademais, é indispensável que a mídia aborde, por meio de filmes, seriados e novelas, a respeito do cenário adotivo, exibindo principalmente sobre a questão racial nesse local, para que os adotantes estejam cientes da quantidade de crianças existentes de cada raça e pensem mais a respeito de suas preferências raciais.