Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 15/10/2020

Segundo dados do site R7, a proporção de famílias interessadas em adotar crianças para o número de órfãos é de 6 para 1. No entanto, milhares de crianças ainda se encontram em situação de orfandade, muitas delas até chegam à maioridade e ainda esperam por um lar. Desse modo, cabe analisar as causas desse problema.

Em uma primeira análise, destaca-se que a morosidade no processo de adoção aliado a burocracia pode contribuir para que muitas crianças ainda permaneçam em orfanatos. É evidente que apresentar a documentação correta e estar dentro do padrão exigido para adotar uma criança é necessário, porém, quando esse processo demanda uma papelada e demora mais que o esperado, é presumível que a família acabe desistindo da adoção e, consequentemente, o órfão voltando para a lista de espera. Portanto, fica visível que a lentidão e o excesso de documentos nessa conjuntura favorecem a persistência de crianças em orfanatos.

Além disso, a preferência racial é outro fator que colabora com a permanência das crianças nos orfanatos. Isso acontece porque muitas famílias têm como opção apenas crianças brancas, loiras, de olhos claros e do sexo feminino, de acordo com informações do site Andi. Contudo, órfãos com esse perfil são minorias nos orfanatos. Dessa forma, fica claro que preferências raciais são um entrave no que se refere ao processo de adoção de crianças.

Logo, é necessário que o Poder Legislativo, por meio de reformas no processo de adoção de crianças, torne esse sistema menos lento e burocrático, para que menos famílias desistam da adoção devido a essas dificuldades. Ademais, é indispensável que a mídia aborde, por meio de filmes, seriados e novelas, a respeito do cenário adotivo, exibindo principalmente sobre a questão racial nesse processo, para que os adotantes estejam cientes da quantidade de crianças existentes de cada raça e pensem mais a respeito de sua preferências raciais nesse sentido.