Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 26/10/2020
De acordo com Chico Buarque, as pessoas temem as mudanças, entretanto, é preciso ter medo de que as coisas não mudem. Sob essa lógica, vê-se necessidade de transformação quando se observa os impasses no processo de adoção no Brasil. Diante disso, cabe analisar tanto o preconceito social para com famílias que optam pelo apadrinhamento quanto o perfil procurado pelos futuros pais incompatível com a realidade como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.
Nessa perspectiva, convém pontuar a diferenciação enraizada na sociedade entre o vínculo sanguíneo e o apenas afetivo. Nesse contexto, de acordo com o físico Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Desse modo, a opinião negativa de terceiros dificulta o seguimento da adoção, ainda que a relação paterno filial que envolva amor, cuidado e educação independe do laço genético.
Outrossim, vale salientar o contraste existente entre a situação de muitas crianças e adolescentes disponíveis para o acolhimento familiar e as exigências dos requerentes, seja em virtude da etnia, idade ou presença de irmãos. À luz dessa ideia, o filósofo Zygmunt Bauman acerta ao dizer que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Não há como negar, portanto, que a abundância de indivíduos em orfanatos mostra o lado seletivo e excludente do processo adotivo.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, a mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, deve elaborar campanhas educativas sobre os benefícios de resguardar uma criança. Tal ação pode ser realizada por meio da mídia televisiva, a partir de ficções engajadas que incentivem e normalizem a adoção sem critérios pré-estabelecidos, com a finalidade de solucionar descompasso dentro das instituições de acolhimento. Com tais medidas, espera-se que o pensamento de Buarque seja assimilado.