Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 27/10/2020

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, os mais jovens tem direito à convivência familiar. Entretanto, tal fato não se aplica à realidade brasileira, quando se observa o elevado número de crianças presentes em lares adotivos, essa notável quantidade se explica pelos impasses no processo de adoção. Dessa forma, eles crescem sem apoio e amor familiar, se vendo excluídos por não se encaixarem no perfil criado pelos adotantes.

Em primeiro plano, lares adotivos não conseguem garantir todas as necessidades afetivas que crianças e adolescentes necessitam. Logo, eles se desenvolvem sem uma boa base familiar, e ao completarem a maioridade são obrigados a deixarem o único lar que já conheceram. Esses jovens são jogados a mercê da sociedade, e com apenas 18 anos são coagidos a viverem uma vida plenamente adulta, com apenas responsabilidades e obrigações. No entanto, com tantas dificuldades e sem um corpo familiar para buscar ajuda, muitos adolescentes desistem de seus sonhos e objetivos.

Em segunda instância, os adotantes criaram um perfil que excluí a grande maioria das crianças e adolescentes. A maioria dos pais adotivos buscam crianças brancas, menores de 4 anos, sem irmãos e sem problemas de saúde. Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, CNA, existem hoje cerca de 5500 crianças disponíveis para adoção e 30 mil famílias na lista de espera, todavia a esmagadora maioria não se encaixa nos padrões desejados, por exemplo, apenas 4,1% dos cadastrados à espera de uma família tem menos de 4 anos. Além disso, números da mesma instituição, CNA, indicam que 65,68% das crianças têm irmãos. Assim sendo, o perfil desejado é o responsável por barrar o sonho desses jovens de um dia ter uma família.

Verifica-se portanto, a necessidade de medidas que visem acabar com o padrão construído pelos adotantes. Urge uma parceria do Ministério da Família e as grandes redes televisivas, sendo que por meio de um horário obrigatório, similar ao horário eleitoral, chamado “Adotar é legal” famílias que adotaram jovens que não se encaixavam no perfil falem sua experiência. Além disso, seria válido também a presença de jovens que não foram adotados e tiveram que começar uma vida adulta aos 18 anos, contando todas as adversidades enfrentadas. Tal horário teria duração de 20 minutos, e buscaria comover os espectadores, para assim mudar a perspectiva do perfil desejado. Por conseguinte, será possível mudar a realidade de diversos adolescentes e crianças e garantir que o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, seja respeitado.