Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 29/10/2020
Na série “Anne with an E”, que se situa em 1908, o Sr. e Sra. Cuthbert procuram adotar um garoto para ajudar na lavoura, mas se surpreendem ao receberem uma menina: Anne. À princípio, a mãe adotiva considera devolvê-la para o orfanato por garotas não serem consideradas aptas para realizar trabalhos físicos. Embora Anne conquiste o carinho de seus pais, a série demonstra como o problema da idealização de um perfil para a adoção persistente até hoje. De fato, o principal impasse para a adoção no Brasil está na demanda por perfis estereotipados e negligência estatal.
Em primeiro plano, é preciso salientar que o ideal preconcebido pelos pretendentes à respeito das crianças e adolescentes é uma causa latente do problema. De acordo com o levantamento dos inscritos no Cadastro Nacional de Adoção, os perfis mais procurados são de crianças de até 5 anos de idade, menina, branca, sem irmãos e sem problemas de saúde. Dessa forma, infelizmente, como consequência apenas os que se encaixam nesse padrão conseguem um lar, assim, enquanto esse ideal persistir, mais crianças viveram sem pais.
Ademais, outra causa para a configuração do problema é a negligência governamental. A Constituição Federal asSegura no art. 5º o acesso à informação, um direito fundamental, tendo em vista que é de extrema importância para o ser humano e está intimamente relacionado com a dignidade da pessoa humana, entretanto, esse direito está sendo infringido, isso pois, não há promoções de debates e investimentos para a disseminação de informações acerca do tema, nesse sentido, a população torna-se passiva a idealizações estereotipadas.
Desse modo, é notório a falta de atuação das autoridades. Portanto, para que mais crianças como Anne sejam adotadas, é preciso que medidas sejam tomadas urgentemente. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, através de verbas governamentais, a instituição de projetos comunitários que debatam a situação de perfilhação. Esses debates podem ocorrer em escolas disponibilizadas pela prefeitura e devem ser abertos para que todos participem, a fim de que mais pessoas compreendam a importância do tema e se tornem cidadãos atuantes na busca por resoluções.