Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 30/10/2020

Na série canadense " Anne With An E “, dois irmãos procuram adotar um menino para ajudar em sua lavoura, mas ficam surpresos ao receber uma menina. Por não ser considerada apta ao trabalho, eles cogitam devolvê-la ao orfanato. Embora Anne conquiste o carinho dos dois, a série mostra o problema com a idealização do perfil para adoção. Entretanto, não muito longe da ficção, no Brasil, esse problema persiste até hoje já que o perfil de crianças para serem adotadas tende a ser, com idade até um ano, de pele clara. Nesse aspecto, convém analisar os principais fatores que corroboram para essa problemática.

Primeiramente, é relevante ressaltar que existem diversas burocracias para realizar adoção no Brasil. Por parte do sistema, por exemplo, pais solteiros são julgados como incapazes de cuidar de uma criança. De acordo com a página " Empório do direito”, 37 mil pretendentes inscritos no Cadastro Nacional de Adoção, cinco mil são pais solteiros. É, portanto, inadmissível que esse número não seja maior, só pelo fato de serem pais solteiros.

Além disso, crianças com necessidade especiais são deixadas ainda mais de lado se tratando de adoção, por muitos enxergarem isso como um problema difícil de superar. Á luz disso, a novela " Totalmente demais" retrata a mudança na vida de Carol, uma mulher que decide fazer adoção e se apaixona por um garoto que é portador do vírus HIV, mas mesmo sabendo da situação ela não desiste e enfrenta todos obstáculos pelo menino Gabriel. É inaceitável que, em um país signatário dos direitos humanos, crianças sejam descartadas no momento da adoção por terem problemas de saúde.

Fica claro, portanto, que o governo deve fiscalizar e diminuir a burocracia na adoção, por meio do dinheiro de impostos, programas que visem esclarecer dúvidas, promover campanhas de conscientização. Espera-se, com isso, fazer com que a lista de crianças na fila de adoção diminua e que os futuros papais venham diminuir os critérios de adoção.