Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 13/11/2020
No filme De Repente Uma Família, o público acompanha a jornada de um casal que adota três irmãos, assim como todo o difícil processo de adoção e adaptação da família. Não só na ficção, mas também na vida real, cada vez mais pessoas decidem adotar uma criança ou um adolescente, muitas dessas pessoas estão dando apenas o primeiro passo de uma jornada que mostra longa e cansativa para a grande maioria dos adotantes. Logo, faz-se necessário avaliar os impasses no processo de adoção brasileiro, como, por exemplo, as exigências dos adotantes e a lentidão do processo.
A priori, é fundamental mencionar o CNA (Cadastro Nacional de Adoção), criado em 2008, é preenchido pela justiça de cada estado e unifica todos os dados referentes aos adotantes e os adotandos. Quem se cadastra no CNA entra, então, em uma fila única, entretanto, essa fila aumenta o tempo de espera, quando deveria servir como uma ferramenta para agilizar o processo. Além disso, há uma idealização da adoção por parte dos adotantes, que muitas vezes não estão preparados para lidar com a rotina de uma criança e possíveis problemas enfrentados por quem se torna pai ou mãe, levando à um abandono do menor no período de convivência obrigatória antes da adoção.
Além disso, um outro empecilho são as exigências dos adotantes, já que o número de crianças e adolescentes é menor do que o de adotantes - no ano de 2018, 9 mil crianças esperavam para serem adotadas, enquanto 44 mil adotantes estavam cadastrados, espera-se que essas crianças logo saíssem da lista ao encontrarem uma família. Contudo, a grande maioria dos adotantes possui exigências não condizentes com a realidade, uma vez que a maior parte dos pretendentes espera adotar uma criança de até 5 anos, sem irmãos e de cor clara, essa descrição não coincide com o perfil dos menores que vivem em entidades assistenciais. Por conseguinte, milhares de menores que não se encaixam nessas exigências passam seus dias em abrigos, até completarem a maioridade.
Destarte, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos reavaliar o processo de adoção, criando mais de uma fila, para que o processo seja agilizado. Paralelamente, o MMFDH deve criar páginas em redes sociais com cartinhas, desenhos e vídeos de crianças que estão na fila de adoção, e que não se encaixam nas exigências mais comuns, a fim de que um laço seja estabelecido entre os menores e os adotantes. Com a finalidade de evitar possíveis desistências e para debaterem o processo de adoção, rodas de conversa com pais que já adotaram e aqueles que ainda vão adotar, acompanhados por psicólogos, devem se tornar obrigatórias como parte do processo legal de adoção. Dessa forma, tornar-se-á possível, como no referido filme, que cada vez mais adotantes e adotandos sejam conectados e formem, juntos, uma família.