Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 19/11/2020
O filme ‘’a qualquer preço’’, de 2016, retrata a atitude impensada de uma mulher ao adotar um bebê por conta própria após descobrir o elevado tempo de efetivação de uma adoção legal. De forma similar, no Brasil, diversos fatores influenciam negativamente nos processos de adoção, dentre eles, a preferência pelas famílias por um perfil específico de criança e a falta de apoio psicológico à gestantes.
Em princípio, nota-se uma predileção pelos pretendentes ao adotar e como isso dificulta a integralização de vários jovens às famílias. De acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), mais de 50% das adoções ocorridas entre 2015 e 2020 foram de crianças abaixo de três anos. Tal fato ocorre, pois, quanto menor a idade, menos experiências e comportamentos o indivíduo terá, o que agiliza o processo de formação e educação pela nova família. Porém, com essa predisposição adotiva, parte dos menores sente-se rejeitada e muitos completam a maior idade sem ter a oportunidade de integração. Dessa forma, medidas devem ser tomadas para a mudança desse cenário.
Além disso, a insuficiência de assistência à gestantes colabora para que haja abandono de crianças e dificulta o processo de adoção. Por certo, casos como o ocorrido em Recife no mês de outubro de 2020, onde um bebê foi encontrado por polícias em uma caçamba de lixo, confirmam o desamparo vivido por mulheres grávidas, uma vez que em lugar de entregar seus filhos à adoção, por desespero, os abandonam. Sob essa perspectiva, percebe-se que existem programas e unidades auxiliadoras, visto que a decisão da mãe biológica de entregar seu filho pode ser influenciada por aspectos hormonais e situações socioeconômicas, porém, não são em todas cidades que se encontram. Nessas circunstâncias, a falta de instrução às gestantes colabora para a existência de crianças totalmente desamparadas e prolonga o tempo de introdução dessas à adoção.
Portanto, ações devem ser tomadas para que o processo de adoção tenha eficácia no Brasil. Para isso, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos em parceria com governo federal, recorrendo a incentivos financeiros, deverá mapear e construir unidades de apoio à grávidas, além de criar um programa de incentivo que oriente essas a buscar ajuda quando necessário, a fim de prestar o apoio psicológico necessário às mães. Além disso, por meio de divulgações de propagandas e dados estatísticos, o SNA poderá mostrar que jovens podem e devem ser acolhidos por famílias, alterando a visão e auxiliando a inserção desses na sociedade. Dessa maneira, o processo adotivo no Brasil será mais sólido e ajudará na construção da cidadania brasileira.