Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 20/11/2020

“O descontentamento é o primeiro passo para a evolução do homem”. A máxima expressa por Oscar Wilde faz alusão ao fato de que, a partir do momento em que o homem se encontra insatisfeito com o longo processo judicial para a adoção e a seletividade de quem deseja adotar, irá mudar sua postura em prol de que haja  agilidade nesse procedimento e inclusão. Diante disso, cabe analisar o porquê dos impasses no processo de adoção no Brasil, bem como propor medida que visem à construção de um Brasil melhor.

É imprescindível ressaltar, de início, que o processo de adoção demorado faz com que as crianças e adolescentes acabem perdendo a chance de ter uma família. Isso se dá tanto devido à lentidão para que as crianças não tenham mais vínculo com seus pais biológicos tanto para a escolha dos pais. Assim, a fila de adoção só aumenta e as crianças crescem, podendo sair do perfil mais buscando por quem deseja adotar. Prova disso é que, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, apenas 10% das crianças espalhadas pelos abrigos do Brasil estão aptas à adoção, provando então, a necessidade de rapidez no procedimento.

Torna-se fundamental entender, também, que a seletividade dos adotantes faz com que crianças, jovens, irmão ou com comorbidades tenham dificuldades para serem adotadas. Tal fato acontece na medida em que se percebe que a maioria dos pais que desejam adotar querem um perfil específico de criança, geralmente abaixo de 3 anos e que seja saudável. Isso pode ser evidenciado, ainda, pelos dados do Cadastro Nacional de Adoção, onde apenas 11% dos adotantes aceitam crianças com mais de 5 anos, comprovando então, os impasses de quem não está encaixado nessas especificidades.

Portanto, o processo adotivo no Brasil ainda é bastante burocrático. Assim, é de suma importância que o Ministério Público junto com o Poder Judiciário criem um projeto de contratação de mais profissionais para ajudar no processo de adoção, tornando tal procedimento menos demorado e agilizando as filas de espera. E, por fim, que a mídia, por meio de propagandas, criem conteúdos mostrando a realidade de crianças e jovens que não conseguem ter uma família, para que os pais que desejam adotar se conscientizem das dificuldades passadas nos abrigos.