Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 27/11/2020

Dados do concelho nacional de justiça indicam que 8,7 mil crianças e adolescentes em todo o país estão aptas para receberem uma família, diante de 43,6 mil pessoas que constam como pendentes no cadastro nacional de adoção. Porém o Brasil ainda enfrenta diversos impasses no processo de adoção no país visto que os preconceitos  e as condições impostas pelos adotantes  aumentam esses entraves no processo de adoção. Isso se evidencia, não só pela exigência quanto a idade da criança a ser adotada como também pelos estereótipos exigidos por aqueles que querem adotar.

Inicialmente, pode-se perceber que a maioria das pessoas que pretendem adotar exigem que não sejam adolescentes ou não possuam idade muito avançada. De acordo com o Portal de conteúdo jurídico 73,48% das crianças e adolescentes que aguardam uma família são maiores de 5 anos enquanto 77,79% das famílias adotantes só aceitam crianças até 5 anos.  Isso é inaceitável, tendo em vista que o Brasil é um país que possui um estatuto  que no seu artigo 19 garante que toda criança e adolescente tenha o direito de ser educado no seio de sua família e, excepcionalmente em família substituta assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral  e isso não tem ocorrido.

Aliado a isso, percebe-se que os preconceitos raciais na sociedade refletem também no contexto da adoção pois os adotantes possuem várias exigências quanto as crianças que serão adotadas. O concelho Nacional de Justiça afirmou que das crianças que estão na fila de espera 65,85% são negras e 25,68% possuem alguma doença ou deficiência. Esse fato é inadmissível em um país que foi o promulgador da constituição federal  de 1988 que garante direitos iguais a todos os cidadãos, e que mesmo assim  os preconceitos e os estereótipos ainda existam no país.

Com isso, o governo federal deve criar campanhas que eduquem as famílias sobre os problemas que são causados na adoção devido ao excesso de exigências e preconceitos , por meio de parcerias público- privadas, com a veiculação de propagandas de orientação na televisão, no rádio e em jornais impressos. Espera-se , assim, erradicar esses impasses no processo de adoção e garantir que todas as crianças tenham direitos a um lar.