Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 17/11/2020

De acordo com o CNCA (Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos) cerca de 5.500 crianças se encontram hoje em condições de serem adotadas, enquanto quase 44.000 seguem desabrigadas. O processo de adoção no Brasil é por demais burocrático, dando espaço para grandes impasses no meio do caminho, tais como a especificidade dos pais em relação a criança que será adotada, e a preferência da justiça em ter crianças em abrigos.

Segundo uma pesquisa feita pela Revista Mundo Educação, a maioria dos pais que optam por adoção, desejam um bebê de até 1 ano de idade. Entretanto, se isso não for possível, a preferência é para crianças que não possuam irmãos. Apenas 6% das crianças se encaixam nesse perfil. Assim, a quantidade de pais que tem o desejo de adotar se torna duas vezes maior que a quantidade de crianças no sistema. Isso se torna problemático uma vez que essas exigências impedem uma criança de ser acolhida em um lar onde teria a possibilidade de receber o cuidado necessário, e encoraja outras famílias a aguardarem na fila de adoção ao invés de dar essa mesma oportunidade a outras crianças.

A realidade social dos abrigos atualmente mostra que grande parte das crianças ali encontradas, na verdade, possuem uma família. Visto que muitas são abandonadas por seus pais biológicos, a justiça declara preferível a estádia da criança nesses locais, caso um dia sua família queira sua guarda novamente. Sendo assim, é inevitável a frustração de famílias que acabam se deparando com tamanha problemática. A falta de informação antecipada sobre esse tipo de situação, e a não competência da justiça brasileira por ainda permitir que tais episódios aconteçam, agravam para que se torne cada vez mais difícil dar oportunidades e acesso à uma melhor qualidade de vida para crianças totalmente necessitadas.

Diante dos fatos apresentados, percebe-se que a mentalidade dos brasileiros sobre a adoção e a falta de cuidado da justiça sobre o assunto são grandes impasses no processo de adoção. Com isso, medidas de urgência precisam ser tomadas. Cabe a justiça brasileira, por meio de agentes e instituições de competência, se certificar de que as crianças acolhidas em abrigos e orfanatos não estão mais sobre a guarda de seus responsáveis. A fim de que, mais famílias possam proporcionar uma melhor qualidade de vida para as crianças com as quais se conectam no processo de adoção, tornando-o menos burocrático, e priorizando preservar a saúde mental e emocional de milhares de crianças brasileiras.