Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 19/11/2020

No poema de Carlos Drummond de Andrade, “ Cota Zero ”, o qual fez uma analogia por meio do substantivo  “ pedra ” as dificuldades e obstáculos da vida, demonstra as variadas formas de impasses presente no cotidiano do ser humano. Fora da literatura, nota-se que muitas crianças e adolescentes passam por dificuldades relacionadas ao fato de estarem a espera de uma família para os adotar. A partir desse viés, é válido discutir os motivos que levam aos impasses no processo adotivo brasileiro, bem como as consequências para criança ou adolescente em questão.

É  imprescindível, antes de tudo, ressaltar que o preconceito por parte das pessoas que desejam adotar uma criança, é um dos principais motivos que levam a não concretização da adoção. Tal questão pode ser justificada pelo fato de a sociedade estar presa à  alicerces do passado, como a padronização corporal, o qual estabelece padrões desejáveis que quer ver nas crianças ou adolescentes dispostos a serem adotados. Nesse contexto, destaca-se a Grécia Antiga, com o estabelecimento, através das olimpíadas, de um corpo atlético padrão, no qual se enraizou na sociedade e se faz presente nos dias de hoje, acarretando em dificuldades para inúmeras pessoas, como é o caso das crianças para adoção.

Convém pontuar, como consequência dos impasses para adoção de crianças e adolescentes, o desenvolvimento de transtornos neuropsíquicos. Tal fato acontece porque a faixa etária até os adolescentes não desenvolveu ainda por completo o cérebro, ficando assim, mais propensos a terem algum problema envolvendo a região não desenvolvida, como é o caso da depressão, que nos dias atuais afetam muitos jovens. Nesse espectro, apesar do Brasil, segundo o FMI, até 2019, ser a 9º maior economia do mundo, não desenvolveu políticas de assistência psicológica a esses jovens submetidos ao processo de adoção.

Nota-se, portanto, que a questão dos impasses no processo de adoção no Brasil deve ser combatida. Para isso, é fundamental a maior participação do Poder Executivo, com o Ministério da Cidadania, por meio da contratação de profissionais de publicidade, através do dinheiro público, para desenvolver campanhas publicitárias, com o intuito de mostrar que a aparência da criança não deve ser levada em consideração na hora da adoção, a fim de facilitar a concretização da ação que mudará a vida dos pais e da criança para melhor. Além disso, deve haver a formação de ONGs, utilizando da internet, para de forma voluntária oferecer acompanhamento psicológico as crianças em processo adotivo.