Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 20/11/2020

A animação Meu Malvado Favorito mostra a história de um vilão que, pensando unicamente em seu plano maligno, adota três irmãs que estavam há muito tempo em um orfanato e sonhavam em ser adotadas, e, à medida que o filme passa, ele aprende a amá-las como filhas. Sob esse contexto, é fato dizer que, assim como as meninas do filme, muitas crianças e adolescentes ainda esperam ansiosamente pelo momento em que serão adotadas, todavia, também não é errôneo citar que diversos fatores dificultam e retardam tal processo, fazendo não apenas com que famílias sejam impedidas de adotarem uma criança, mas também com que diversos jovens não sejam acolhidos e permaneçam em orfanatos até atingirem a maioridade.

A priori, é importante citar que, de acordo com o conselho nacional de Justiça, há uma maior quantidades de candidatos querendo adotar do que crianças para serem adotadas, todavia, diversos jovens ainda assim permanecem sem encontrar uma família até chegarem à idade adulta. Sob tal luz, é possível se afirmar que tal fato se da por conta de que o perfil desejado pelos futuros pais é, segundo a revista Carta Capital de julho de 2018, “menina, até 1 ano, pele clara, sem irmãos”, o que contraria o perfil da maioria dos jovens disponíveis para adoção, que, no Brasil, são em sua maioria negras e maiores de cinco anos. Logo, diversas crianças permanecem nos orfanatos, local carente de base familiar e não adequado para um lar permanente, até a idade limite de estadia.

Em conseguinte, também é relevante ressaltar que, no Brasil, por ser uma ação judicial lenta e com muitas especificidades, a burocracia inerente à adoção torna-se um empecilho para muitas famílias que desejam receber uma criança rapidamente. Dessa forma, um processo que deveria durar no máximo três meses acaba se tornando longo e desgastante, podendo se prolongar até cinco anos, o que é ligado diretamente com a problemática anterior, como as crianças crescem e, consequentemente, saem do perfil mais procurado, o que propicia a desistência dos futuros pais e, o pior, a permanência de jovens nos abrigos até a maioridade.

Em suma, medidas são necessárias para que tais problemas possam ser superados no Brasil. Portanto, convém que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aperfeiçoe de maneira efetiva as leis do Poder Judiciário no que diz respeito ao processo burocrático da adoção, tornando o processo mais rápido e mais eficiente, fazendo com que tanto os futuros pais quanto as crianças não precisem esperar tanto. Ademais, a mídia pode contribuir, por meio das redes sociais, com campanhas de igualdade que incentivem a adoção de todos os tipos de criança, não de apenas um. Assim, a adoção não precisará ser apenas um sonho como o das meninas em Meu Malvado favorito, mas sim a realidade de muitos.