Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 29/11/2020
Uma pesquisa do Conselho Nacional de Segurança mostra que o número de pessoas que querem adotar uma criança ou adolescente, é quase cinco vezes maior que o número de jovens disponíveis nos centros de adoção. Entretanto, atualmente há grandes impasses para a realização desse processo no Brasil. Dentre os possíveis, tem-se as muitas restrições que são impostas pela família adotiva em relação ao perfil do jovem, e as questões de ordem burocrática do poder público brasileiro.
A maioria das famílias dispostas a adotar um filho requerem muitas condições : 90% preferem crianças brancas, 60% não aceitam irmãos, e o interesse principal dessas famílias são crianças de até 5 anos - dados do Estatuto da Criança e do Adolescente. Visto isso, num contexto em que no Brasil a maior parte das crianças disponíveis para adoção são negras ou pardas, possuem irmãos, e tem mais do que 5 anos de idade, percebe-se uma pequena quantidade de adoções de menores no país em relação a grande oferta que se tem. Diante disso, uma importantíssima campanha foi lançada recentemente pelo clube de futebol Sport Recife - a adoção de jovens de idade mais avançada era o tema, incentivando a perfilhação de adolescentes ou pré adolescentes que já esperaram muito tempo nos centros adotivos, e veem-se sem esperanças de um dia serem acolhidos.
Somando-se ao fato das restrições dos candidatos na escolha do futuro filho, outro fator que dificulta o aumento do número de adoções é a questão burocrática desse processo. Visto isso, sabe-se que essa burocracia é responsável por um grande número de famílias desistentes, uma vez que o tempo de espera é alto para se conseguir adotar uma criança, devido a falta de estrutura organizacional do poder público nesse setor. Durante esse tempo perdido, o jovem cresce, e quanto mais velho, menor a probabilidade do mesmo ser escolhido por um pai. Entretanto, a sanção de uma nova lei decretada no governo Temer estabeleceu a redução desse tempo de espera, compromisso esse que contribuiu para o aumento da perfilhação no país.
Sendo assim, é responsabilidade do Governo Federal, junto a ONG’s, a realização de campanhas nas grandes mídias que estimulem a adoção de perfis menos aceitos; além de viabilizar esse processo de forma mais rápida e burocrática, por meio de verbas e investimento na infraestrutura desse setor , respectivamente, com o objetivo de acabar com a incoerência dos dos dados apresentados pelo Conselho Nacional de Justiça, acolhendo cada vez mais esses jovens desamparados.