Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Adoção consiste no ato de aceitar espontaneamente uma pessoa como seu filho, sob pauta legal. Essa ação é considerada uma das maiores formas de amor no mundo. Entretanto, os pretendentes à adoção, em sua maioria, apresentam um padrão de desejabilidade fora do contido em orfanatos e lares de acolhimento, causando dificuldades no processo adotivo.

De acordo com o site Observatório 3 Setor, a maior parte dos indivíduos desejam crianças brancas, de até um ano, sem histórico patológico e sem irmãos. Isso demonstra como o modelo proposto pelos adotantes se diverge da realidade, visto que a maior parte dos órfãos são pardos/negros e têm mais de 10 anos.

Consoante a isso, tal fato corrobora para a não diminuição de sujeitos sem família. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, aproximadamente 47 mil crianças e adolescentes estão em situação de acolhimento no país, enquanto a taxa de sujeitos aspirantes é de 36 mil. Dessa forma, é observado como a fantasia de ter menores que sigam os arquétipos da sociedade afeta drasticamente o sistema adotivo, ocasionando o acúmulo de crianças sem lares.

Todavia, conforme o site G1, o número de pretendentes cresceu de 30% a 46% que dizem adotar crianças de 5 anos ou mais. Essa situação, apesar do número ainda ser pequeno se comparado com os sujeitos de maior faixa etária, já apresenta um grande avanço para esse sistema. Tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA) estabelece como principal objetivo da perfilhação, o bem-estar do afilhado.

Dado o exposto, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos realizar uma campanha por meio de palestras com especialistas, direcionadas ao público que se interessa por adoção, a fim de demonstrar como o aperfilhamento de menores que possuem maior faixa etária, diferentes raças e afins, é benéfico para eles. Uma vez que estariam oferecendo oportunidades que provavelmente não gozariam.