Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Ao abordar as dificuldades de adaptação, o filme “Annie” retrata os benefícios da adoção no desenvolvimento da recuperação familiar. Fora das telas, sabe-se que, no Brasil, tais benefícios encontram-se escassos em função das dificuldades enfrentadas no processo adotivo. Isso se deve não somente pela quantia insuficiente de crianças disponíveis para adoção, mas também pela preferência por filhos únicos por parte dos pais.
Em primeira análise, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, o número de indivíduos cadastrados para adoção é inferior a 5 mil. Em contrapartida, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância(UNICEF), mais de 30 milhões de pessoas de até 17 anos encontram-se em situação vulnerável. Nesse sentido, compreende-se que tal fato configure um cenário caótico para a sociedade brasileira, tendo em vista que ratifica a tendência seletiva e controversa na disponibilidade adotiva.
Ademais, é válido ressaltar a preferência por filhos únicos por parte dos pais como agravante do problema. Segundo um levantamento feito pelo CNA, mais de 60% dos brasileiros interessados em adotar não demandam crianças com irmãos. Diante de tal afirmação, constata-se que tal panorama reafirme o preceito de modernidade citada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, no qual a individualidade prevalece sobre o coletivo, sendo, portanto, responsável pela fragmentação das relações interpessoais.
Infere-se, indubitavelmente, que medidas são necessárias para a resolução das problemáticas. Deve-se, então, por meio de uma campanha publicitária elaborada pela UNICEF e ministrada em redes sociais, como: “Instagram” e “Facebook", garantir o incentivo à adoção de crianças com irmãos e em situações de vulnerabilidade, a fim de sanar os impasses relacionados ao processo de adoção. Espera-se que, com tal medida, realidades similares às presenciadas no filme “Annie” sejam alcançadas por todos lares adotivos.