Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 13/12/2020
Consoante a teria positivista do sociólogo Auguste Comte, a sociedade está em constante progresso. Contudo, de modo análogo, essa teoria se torna falha, tendo em vista os diversos problemas que existem na contemporaneidade e que refletem diretamente no âmbito social, como a dificuldade nos processos de adoção no Brasil. Assim, vê-se que esse nefasto cenário está ligado à grande exigência dos adotantes e pode gerar grave aumento de adolescentes marginalizados.
A princípio, vale ressaltar que, anteriormente à adoção, os interessados devem manifestar o perfil que buscam no jovem a ser adotado. Na série “Anne With An E”, de 2017, é contada a história de dois irmãos que pretendem adotar um menino, mas que no final, entretando, aceitam uma menina e se tornam felizes com ela. Todavia, essa não é uma realidade vista normalmente, algo que se reflete nos dados divulgados pelo Cadastro Nacional de Adoção (CNA), os quais demonstram que o número de pessoas que querem adotar é vinte vezes maior que a quantidade de crianças e adolescentes disponíveis. Desde modo, nota-se que, mesmo com o número superior de interessados, poucos processos de adoção são efetivados, já que a limitação dos perfis é extremamente prejudicial para tais procedimentos.
Por conseguinte, a realidade de poucos sendo adotados resulta em um maior número de jovens em situações maléficas. Em conformidade com o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), ao completar 18 anos e não ter sido adotado, o indivíduo precisa deixar o abrigo imediatamente. No entanto, esses jovens, ao saírem dos orfanatos, não conseguem se inserir facilmente na vida em sociedade, pois não possuem emprego ou lugar fixo de moradia. Dessa maneira, com a falta de apoio ou de métodos de inserção dessas pessoas no meio social, graves empecilhos surgem e afetam suas vidas.
Portanto, para que a situação seja solucionada, as Varas da Infância e Juventude de cada município deve realizar um melhor acompanhamento psicológico nos futuros pais, a fim de identificar os que estão aptos para determinados perfis e aconselhá-los a ampliar suas escolhas. Ademais, o Estado, por intermédio de programas de assistência, deve inserir os maiores de 18 anos não adotados na sociedade. Para isso, é imprescindível a realização de pesquisas para detectar os locais com o maior número de maiores de idade saindo de abrigos e direcionar-lhes bolsas de estudo ou vagas de emprego, por exemplo, com funções dentro dos próprios orfanatos. Espera-se, com isso, que mais jovens possam fazer parte da vida social.