Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 29/12/2020

‘‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’’. Essa frase de Carlos Drummond de Andrade pode ser aplicada no atual contexto brasileiro, cuja pedra referida são os inúmeros impasses para a efetiva adoção de crianças e adolescentes no país. Nesse sentido, nota-se que esse problema tem como causa não só a lentidão nos processos judiciais, como também a demanda dos pais por menores dentro de um perfil específico.

Inicialmente, a demora dos procedimentos jurídicos está intimamente relacionada ao entrave. De acordo com uma publicação feita pelo G1, os menores só são colocados para adoção após 1453 dias de estadia na casa de abrigo. Com isso, por conta do longo tempo esperando, os adotantes deixam de almejar a criança tão esperada, pois já estão em uma idade não requerida por esses. Tal situação intensifica a questão das dificuldades para o apadrinhamento.

Ademais, é de referir que o padrão de criança que os candidatos requerem dificulta a adoção. Segundo o Conselho Nacional de Justiça- CNJ, 57% dos pretendentes a pais têm restrição de cor de pele. Lê-se, portanto, como nociva a percepção de que para se concluir uma adoção as crianças devem estar inclusas em um modelo estético, o que além de complicar o efetivo perfilhamento, acaba por gerar sentimento de inferioridade nos adotivos.

Assim sendo, é necessário atenuar o problema. Para isso, o Governo, Órgão responsável por extinguir os empencilhos da sociedade, deve desburocratizar o processo de adoção no país, por meio de reuniões com deputados e as aprovações desses, para que o procedimento adotivo possa ser mais rápido e, com isso, melhorar a questão de adoção.