Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 08/01/2021
No filme “Um sonho possível”, no qual se baseia na história de vida do estadunidense “Big Mike”, ele retrata como foi sua trajetória de viver em lares adotivos e o preconceito pelo qual passava por ser um garoto negro. Assim como o americano, centenas de crianças e adolescentes passam por essa mesma realidade no Brasil por não se inserirem no perfil, criança branca, desejado pelas famílias que tem o intuito de adotar. Além disso, outro impasse é a “devolução” dos infantes pelos adotantes durante o período que se refere à guarda provisória. Logo, essas problemáticas enraizadas nos processos de adoção merecem atenção por parte da sociedade e dos órgãos públicos.
Toma-se conhecimento que o racismo estrutural se tornou parte da sociedade brasileira e lamentavelmente está presente nos perfis solicitados na hora de adotar um infante. Conforme os dados do Conselho Nacional de Justiça, 15% das famílias optam por crianças brancas, porém, das 9,5 mil crianças e adolescentes cadastradas no Conselho Nacional de Educação, 50% delas são negras. Assim, a medida que essa seletividade se torna maior, a esperança de um conforto familiar para estes que são “rejeitados” se reduz.
Na visão do professor e filósofo francês Émile-Auguste Chartier (Alain) “Toda nossa biblioteca psicológica presta-se para ser triturada por um pilão”. De mesmo modo, o psicológico das crianças que retornam aos lares adotivos durante o estágio de convivência é extremamente prejudicado, causando dificuldade para preparação de outra adoção. Visto que, esse regresso significa novamente um abandono por parte da sociedade, o trabalho de profissionais qualificados em auxiliar essas fragmentações se torna mais complexo.
Portanto, medidas que condizem com os direitos do cidadão segundo a Constituição, necessitam ser efetuadas de modo a suprimir os impasses de adoção no Brasil. Isto é, o Poder Legislativo deve criar uma lei que torne indisponível a família adotante de preferenciar cor de pele, com a intenção de acabar as distinções e aumentar as oportunidades de adoções. Tal como, para impedir que crianças e adolescentes retornem aos lares, o Conselho Nacional de Justiça deve impor uma multa em dinheiro, no valor que cubra as despesas das mesmas num determinado tempo e ajude na manutenção do lar adotivo.