Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Na série da Netflix “O Gambito da Rainha”, Jolene é integrante de um orfanato, ela é responsável por ressaltar o preconceito que sofre na frase “não somos adotadas por sermos velhas demais ou negras demais”. Paralelamente, a adoção no Brasil também enfrenta as dificuldades descritas por Jolene. Diante disso, é lícito ponderar como o estereotipação e a burocracia corroboram a problemática.
Primordialmente, a idealização das crianças para adoção é um grave problema para a temática. Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, a família brasileira deveria seguir o padrão do homem branco. Nesse sentido, essa ideologia, ainda que esteja cada vez mais desconstruída atualmente, é persistente na sociedade contemporânea. Dessa forma, crianças negras, mais velhas ou com irmãos, são excluídas do imaginário das famílias que querem adotar, pois não participam do esteriótipo que criaram em suas mentes.
Por conseguinte, o demorado processo de adoção é também um grande empecilho. Isso ocorre porque, segundo um estudo elaborado a pedido do Conselho Nacional de Justiça, mostra que uma criança só é colocada para adoção após quatro anos, em média. Nessa lógica, o processo de desvencilhar a criança da família leva muito tempo, o que causa a dificuldade em conseguir uma família adotiva por um longo período. Nesse sentido, o indivíduo envelhece anos para poder ficar apto para ser acolhido, o que resulta na rejeição posterior por ser “velho demais”.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para solucionar o quadro atual. Diante disso, urge que o Conselho Nacional de Justiça crie, por meio de verbas governamentais, um projeto que facilite a interação das crianças com as famílias adotivas, essa medida teria como base a desburocratização do procedimento e, além disso, facilitaria a criação de laços emocionais entre si, a fim de desconstruir o preconceito e a burocracia desse processo. Dessa forma, jovens como a Jolene terão melhores expectativas de serem adotadas.