Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 17/04/2021

Na série cinematográfica norte-americana “O Gambito da Rainha”, a protagonista Elizabeth Harmon é uma órfã que se torna um prodígio do xadrez após ter o jogo ensinado pelo zelador do orfanato, onde passa toda sua infância. Na série é retratada a dificuldade que a personagem enfrenta para ser adotada, até a adolescência, quando finalmente Elizabeth consegue um lar. No Brasil, muitas crianças e adolescentes também sofrem com a dificuldade na adoção. Isso se deve aos preconceitos enraizados na sociedade, o que faz com que os futuros pais adotivos sejam excludentes na sua escolha de adotar.

Em primeiro plano, deve-se destacar a presença do racismo no processo de adoção. Nesse sentido, o preconceito dos futuros pais adotivos que buscam crianças dentro de um certo padrão estabelecido pela sociedade, se mostra como uma barreira para a adoção das crianças e adolescentes negros, devido ao racismo estrutural histórico presente no Brasil. Um exemplo disso é que apesar de mais da metade das crianças e adolescentes em orfanatos serem negras, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNJ), cerca de 20% dos pretendentes apenas aceitam as crianças brancas.

Por conseguinte, as “preferências” na adoção, que se evidenciam também de outras formas, como a não aceitação de crianças que possuem doenças, faz com que muitas dessas atinjam a adolescência ainda dentro do orfanato, o que torna a adoção ainda mais dificultada, pois a grande maioria dos pretendentes buscam crianças com idade máxima de 6 anos. Assim, muitas crianças passam toda a sua infância e adolescência em orfanatos, até atingir a sua maioridade. Dessa forma, esses estigmas sociais, que ressaltam valores superficiais, demonstrando-se como verdadeiros objetivos e acabam por tirar o verdadeiro significado da adoção.

Portanto, para que essa problemática seja amenizada e que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades em busca de um lar, mostra-se necessário que o governo federal conscientize os futuros pais adotivos, por meio do financiamento de campanhas publicitárias utilizando de pernsonalidades com influência nacional para alcançar uma maior comoção, a fim de esclarecer como os preconceitos influenciam nas decisão de adotar. Dessa forma, se alcançará uma sociedade mais igualitária e um sistema de adoção menos discriminatório, para que assim, pessoas como Elizabeth Harmon encontrem um lar adotivo mais facilmente.