Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 12/05/2021
No filme “Meu Malvado Favorito” da Universal Studios, acompanhamos o protagonista Gru que, após adotar três garotas por objetivos pessoais, aos poucos se apaixona pelas mesmas e passa a amá-las como suas filhas. De forma análoga, famílias brasileiras querem efetuar o ato louvável de adotar, contudo encontram problemas para realizá-lo devido às restrições impostas pelos próprios adotantes, ocasionando em diversos adolescentes e jovens desprovidos do seio familiar. Em vista desse aspecto, convém analisarmos uma causa, sua consequência e possível medida para o impasse atemporal.
Em primeira análise, vale ressaltar que, ao contrário de Gru que adotou duas pré-adolescentes, cerca de 80% dos adotantes desejam crianças abaixo dos 6 anos, brancas, sem irmãos e sem nenhuma deficiência física. Entretanto, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção(CNA), mais de 90% das crianças disponíveis já passaram da idade, além de não cumprirem grande parte dos demais requisitos, o que dificulta o processo, levando a mais tempo e burocracia.
Nesse contexto, várias crianças negras, pardas, portadoras de alguma deficiência ou com irmãos, deixam de ser adotadas e esperam por anos pela oportunidade de serem acolhidas, muitas chegando aos 18 anos, quando perdem esse direito. Com exceção de casos especiais como do ator Bruno Gagliasso e seus dois filhos adotivos que fogem desses padrões, em sua maioria, esses candidatos a filhos ficam nos orfanatos acumulando sonhos, mas também inseguranças.
Portanto, é imprescindível que hajam campanhas de divulgação e incentivo à adoção através de propagandas financiadas pelo Estado, sempre destacando a diversidade e a representatividade. Além disso, também é necessária maior visibilidade na Mídia, mostrando casos bem sucedidos do processo, por meio de reportagens e matérias. A finalidade em ambos é aumentar a receptividade desse tema para que mais crianças conquistem o amor e afeto familiar representados no filme infanto-juvenil de 2010.