Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 31/05/2021
Na série “Anne with an e”, narra a história de Anne, que foi adotada por uma família por engano, pois eles gostariam de acolher um garoto, com o objetivo de ajudar nas tarefas da fazenda. Contudo, a série nos mostra a realidade do Brasil, onde as famílias adotantes possuem estereótipos para a adoção. Nesse sentido, observa-se um delicado problema, que tem como causa o preconceito velado e a superstição que a adoção é “caridade”.
Em primeiro lugar, a discriminação dos adotantes é um empecilho para o acolhimento de crianças. Na frase “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça para a justiça em todo lugar”, Martin Luther King afirma que o preconceito é a maior forma de injustiça. Visto que, as famílias buscam adotar um estereótipo, onde preferem crianças brancas , de até 8 anos, sem irmãos e sem histórico de doenças. Sendo que, a metade das crianças e adolescentes não estão nesse padrão. Dessa forma, o processo paralisa e os indivíduos permanecem sem um lar para si.
Em paralelo, a adoção deveria ser vista como um laço de maternidade na relação adotante e adotado, não como mera “caridade”. Na frase: “O essencial é invisível aos olhos” de Saint-Exupéry traz a noção que o indivíduo deveria fazer a ação sem interferências externas. Contudo, muitas pessoas adotam com a finalidade de serem vistas como “bondosas”, porém a adoção deveria ir muito mais além, necessita ser vista como um parentesco normal entre pais e filhos. Portanto, as famílias devem refletir para que o processo adotivo seja realizado sem criar traumas a nenhum indivíduo.
Em suma, medidas precisam ser tomadas. Faz-se necessário que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com parceria do Estado, criem campanhas que influenciam a adoção e que orientem o conceito mais profundo e os seus benefícios, por meio de campanhas e propagandas na mídia, com objetivo de torná-la mais justa e ampla para todas as raças, sexos, idades. Assim, talvez os desafios para a adoção no Brasil, permaneçam somente no universo de “Anne with an e”.