Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 10/06/2021

Na obra “Cidadão de Papel” de Gilberto Dimestein, são abordados diversos temas sobre a sociedade, e uma das questões analisadas é a condição e os cuidados com as crianças e adolescentes. No entanto,  sabe-se que nem todas possuem as mesmas possibilidades, pois estão em abrigos a espera de uma oportunidade, que muitas vezes é dificultada por impasses como a busca por um perfil ideal e a burocracia do processo de adoção.

Como primeira análise, pode-se fazer um comparativo entre a busca de perfis e as sociedades da antiguidade. Na Grécia Antiga, por exemplo, a cidade estado de Esparta buscava manter as crianças que fossem mais forte, para assim permanecer com um grupo social mais capacitado para o exército. Logo, ao observar a sociedade contemporânea, tem-se que que o perfil buscado para adoção é o de bebês, que podem crescer com a total noção de serem filhos biológicos, sem contestar ou expressar interesse numa busca de sua origem. Sendo assim um empesilho para crianças que já apresentam um conhecimento maior sobre o seu meio.

Outro ponto ainda a se considerar, sobre tal questão, é o tempo de processo e as condições para avaliação da adoção, o que pode provocar um desinteresse. É evidente que a sociedade está mais dinâmica e por isso os indivíduos buscam maior agilidade para realizar suas atividades. Condição essa, que ainda não é realidade para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por apresentar uma relugação que retarda a avaliação das condições e capacidades dos interessados, quanto a manutenção e segurança da criança. De modo que, provoca frustação com a perda de tempo e falta de uma formação de laços familiares no desenvolvimento do indivíduo.

Nesse contexto portanto, é preciso compreender as dinâmicas mais lentas do processo de adoção, bem como observar os interesses  dos indivíduos que buscam formar famílias por meio dessa prática.  E para isso, é fundamental que ocorram revisões nos métodos de avaliação apresentados pelo ECA, de modo a serem mais agéis, porém com a mesma excelência. Além de, uma atuação conjunta entre membros ligados ao ECA, aos abrigos e a comunidade, de forma a proporcionar visitas para maior interação e desenvolvimento de relações, que evidenciem que cada criança e adolescente ali presente são seres com diversas possibilidades e que podem construir um laço independente da idade, raça ou crença.