Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 17/09/2021
O filme “Um sonho possível” narra a vida de um garoto de periferia que é acolhido por uma família rica e tem a sua vida transformada a partir das possibilidades que surgem pelos seus talentos. Neste sentido, a adoção tem o poder de mudar a situação de vulnerabilidade dos menores e de dar oportunidades que antes não lhes eram imaginadas. Logo, deve-se analisar os problemas no processo de adoação brasileiro, como a preferência por um estereótipo e o preconceito.
Em primeiro lugar, vale destacar o preconceito como dificultador do processo de adoção. Em sua maioria, há um estereótipo sobre os lares de acolhimento e, consequêntemente, sobre as crianças que ali se encontram, visto que é enfatizada a questão do abandono e descaso em relação aos infantos, o que gera a sensação de inferioridade. Essa realidade, contribui para que o ato de adotar seja encarado como última alternativa de muitos casais, que chegam, inclusive, a priorizar tratamentos laboratoriais mesmo sem garantias concretas. A exemplo, têm-se o caso de repercussão nacional, em 2015, sobre a criança adotada por um casal homoxessual após ser recusada por diversas famílias heterossexuais, de Minas Gerais.
Outrossim, a preferência de um padrão estético também interfere nesse impasse. De forma histórica, o brasileiro valoriza o europeu e menospreza as outras culturas, geralmente, o que reflete de forma direta no processo de adoção, já que o modelo a ser normatizado é a da criança branca. Segundo uma reportagem do site G1, enquanto, cerca de, 92% dos pais não têm objeção à adoção de uma criança branca, apenas 52% não possuem por um infanto negro, o que comprova tal comportamento social.
Portanto, gerar oportunidade através da adoção é um gesto a ser divulgado e necessário, como mostrado na cinematografia. Sendo assim, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em parceria com a mídia, deve criar campanhas de incentivo à adoção, sem preconceitos e estereótipos, por meio de testemunhos reais, dados sobre as filas de adoção e como esse ato pode mudar a vida de uma criança ou adolescente, a fim de causar interesse social sobre o tema e reduzir os seus impasses. Ademais, as escolas devem elaborar debates e pesquisas com os alunos sobre adoção, por intermédio de filmes, documentários e até relatos pessoais, visando o acolhimento e a criticidade social.