Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 06/08/2021

O seriado americano “This is us”, aborda a questão da adoção, por intermédio da personagem Deja, a qual vive a dor da longa espera para ser adotada e as dificuldades de se adaptar a uma nova família. Para além da ficção, a situação de Deja, assemelha-se à de muitas crianças brasileiras à espera da adoção. Nessa perspectiva, torna-se fundamental discutir os fatores responsáveis pela lentidão desse processo, como a burocracia excessiva e a mentalidade dos adotantes.

Em primeiro lugar, é válido salientar que as normas existentes no Brasil para o processo de adoção são importantes para garantir a segurança e o bem-estar das crianças que serão adotadas. No entanto, uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Jurimetria aponta que a demora da justiça para dar seguimento aos processos leva à desistência dos adotantes. Dessa forma, é imprescindível que as etapas de adoção sejam revisadas, para que possam ocorrer de maneira segura, mas também de forma mais rápida.

Além disso, a cosmovisão das famílias que almejam adotar é outro fator que dificulta o acolhimento de menores no país. Assim sendo, os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) são preocupantes, pois só 44,8% dos adotantes aceitam crianças de qualquer raça,  66,07% não aceitam irmãos e apenas 0,07% aceitam crianças independente da idade. Desse modo, é possível observar que a morosidade do processo também se deve às exigências dos adotantes. Logo, a adoção da maneira que é praticada no país gera os seus excluídos, o que reforça a necessidade de se ampliar a rede de informações sobre o tema para construir uma sociedade mais disposta ao altruísmo e menos preconceituosa.

Portanto, para lidar com os impasses da adoção, é viável que a Vara da Infância e o Ministério Público, os quais são responsáveis pelas primeiras etapas do processo de adoção, adotem um sistema híbrido de ação, em que a disponibilidade de cursos para adotantes, acompanhamento psicológico e audiências possam ocorrer tanto de modo presencial quanto online. Assim, será possível impedir que crianças percam a chance de serem adotas pela lentidão do processo. Ademais, a mídia por meio de campanhas publicitárias e novelas pode explorar a questão da adoção, promovendo identificação e discussão, dado o poder do entretenimento para moldar a sociedade e romper com preconceitos. Nesse caminho, haverá menos esperas como a de Deja e mais oportunidades para outras crianças nessa situação.