Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 11/08/2021
A Constituição brasileira preve o direito a adoção de crianças, podendo se cadastrar pessoas casadas ou não e maiores de 18 anos, a fim de promover o amparo familiar à elas. Porém, a realidade da adoção no país é cheia de preconceitos e filas enormes, pois o grande impasse no processo é o perfil desejado pelos interessados, no qual excluem boa parte das crianças cadastradas.
Nesse contexto, tem-se o preconceito em relação a adoção, visto que famílias em perfeitas condições de adotar não o fazem, por medo do comportamento das crianças de abrigo. Isso, infelizmente, tira da família o desejo de adotar. Por outro lado, para abrir o processo de adoção os interessados devem preencher os requisitos previstos na lei, passar por entrevistas e descrever o perfil desejado da criança a ser adotada (idade, sexo, saúde, irmão, entre outros). O Cadastro Nacional de Adoção - CNA aponta dados, no qual o número de interessados é doze vezes maior do que as crianças cadastradas. Embora esses dados sejam otimistas, porque, então, não estão todos adotados?
A resposta vem do descompasso entre o perfil desejado e as características das crianças. Segundo o CNA, mais da metade das pessoas que abrem processo de adoção não querem irmão, em contraste com a realidade que, na mesma proporção, possuem irmão em abrigos. Além disso, a maioria dos perfis exigem crianças menores de 5 anos, e isso faz com que os adolescentes passem a vida sem um lar. Tudo isso colabora para aumentar a fila de adoção, deixando as crianças sem amparo familiar.
Portanto, para resolver o impasse do processo de adoção no Brasil, cabe a sociedade uma mudança de comportamento, por meio de palestras nas comunidades e mídias, pode-se divulgar casos em que a adoção deu certo, a fim de quebrar preconceitos e promover a adoção dos adolescentes e dos irmãos, enaltecendo a importância do amparo afetivo que um lar pode causar nas crianças, assim garantir o direito estabelecido na Constituição.