Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 28/07/2021
Consoante o postulado pelo sociólogo brasileiro Francisco de Oliveira, o Brasil é a simbiose entre o moderno e o arcaico, porquanto, apesar de progressos nas últimas décadas, ainda há obstáculos que impedem seu avanço. Dentre esses impasses, destaca-se o processo de adoção, dado que, devido à sua ineficácia, diversas crianças órfãos não conseguem serem amparadas no país. Dessarte, é fulcral destacar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental acerca do processo de adoção no espectro brasileiro. Nesse viés, consoante à concepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como “zumbis”, pois largaram suas respectivas incumbências socioculturais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Cidadania tornou-se uma corporação zumbi, uma vez que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, não só pela pequena campanha de conscientização acerca da necessidade de apadrinhamento de crianças em situações indigentes, mas também pelo pouco espaço destinado para agilização da burocracia do processo adotivo. Isto posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia os jovens órfãos a uma realidade de miséria sociocultural.
Além dessa mácula, também é preocupante, na contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social quanto aos impasses da adoção de pubescentes. De certo, mediante os dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma verossimilhança entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram e normalizaram a baixa taxa de adesão a adoção de crianças mais velhas, o que gerou frutos como o crescimento de jovens em contexto de vulnerabilidade e facilmente manipuláveis, em virtude de sua carência de referência. À vista disso, depreende-se a grande importância de fazer com que a sociedade tome uma atitude, pois, enquanto ela for inerte, os indivíduos adolescentes órfãos serão desprezados e qualquer pessoa má intencionada poderá usá-los para fins desumanos.
Assim, com o fito de fazer o corpo social deixar sua inércia, urge que o Ministério da Cidadania faça campanhas de conscientização acerca dos processo de adoção de crianças mais velhas, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook. Ademais, esse instituto deve contratar mais profissionais para solucionar o problema da ineficiência burocrática. Espera-se, com isso, que o Brasil deixe o arcaico no passado e rume ao progresso.