Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 29/07/2021

“Anoiteceu. Eu, Alberto, estava deitado entre meus pais. Enquanto eles faziam carinho no meu cabelo. Aquele momento era único e me trazia proteção. Assim eu sonhava. Assim eu desejava minhas noites, mas tudo não passava de uma imaginação. Sou um adolescente e espero que um dia meu sonho se realize.” Essa narrativa fictícia – embora verossímil – denuncia a grave situação das crianças e adolescentes nos orfanatos do Brasil, a qual é agravada pelo preconceito histórico existente na sociedade e a burocracia da justiça que dificultam esse processo.

Historicamente, a adoção estava ligada à uma procura por mão de obra barata pela família ou era o meio de resolução do problema de casais que apresentavam infertilidade. Atualmente, as mudanças na legislação humanizaram as motivações para adotar. Nesse sentido, conforme o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente -, a adoção não é o ato de dar uma criança para uma família, mas uma família para uma criança. Nesse sentido, infelizmente, vive-se em uma sociedade capitalista em que o homem é mediado por imagens. Analogamente, o escritor Guy Debord, no livro, “A sociedade do espetáculo”, relata que as relações sociais na contemporaneidade são valorizadas a partir de suas aparências, assim é indiscutível a existência do modelo ideal de família: dois filhos, um menino, uma menina e os dois brancos. Com isso, existe um imaginário social de inferioridade sobre as famílias que possuem filhos adotados – muitas vezes velado – o qual, deve ser descontruído para derrubar obstáculos que impeçam os sonhos de vários “Albertos” no Brasil.

Além disso, o processo de adoção tem se mostrado bastante falho em relação ao tempo para ser concluído. Tendo em vista isso, a falta de organização Estatal dificulta um processo que pode mudar a vida de muitas pessoas e por isso requer uma atenção e um acolhimento bastante especial. De acordo com o filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger os seus filhos. Entretanto, a prática deturpa a teoria, pois, apesar da existência do ECA, que deve promover a proteção integral da criança e do adolescente menores de dezoito anos, sua ação ainda é insuficiente. Mostra-se, assim, que é preciso aumentar o número de assistentes sociais para assim ter um trabalho mais ativo na realização dos sonhos desses brasileiros.

Destarte, é necessário que o Estado atue de maneira afirmativa na problemática da adoção. Para isso, faz-se necessário que o ECA implemente campanhas publicitárias com a mídia, por intermédio das propagandas e novelas, que são eficientes meio de divulgação, a fim de mostrar casos de adoção divulgando o quanto essa prática pode ser benéfica para a população e por conseguinte a população estará mais engajada nessa problemática social.