Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 04/08/2021

No famoso filme norte-americano “Meu Malvado Favorito”, Gru, o personagem principal da saga, adota três irmãs de diferentes idades. Porém, por ser um filme com caráter ilustrativo para crianças, a real e presente dificuldade de um processo adotivo acaba não sendo retratada e aprofundada. A adoção é processo legal que consiste no ato de se aceitar espontaneamente como filho de determinada pessoa, desde que respeitadas as condições jurídicas para tal. Por mais que aparente ser algo simples, o desconhecimento desse dinamismo e a forte existência de um perfil restrito de escolha acaba deixando muitas crianças sem família.

Para começar, segundo dados divulgados pelo Cadastro Nacional de Adoção, existem cerca de cinco mil crianças prontas para serem adotadas e 35 mil famílias na fila de espera. Um dos maiores e principais motivos para a descoordenação desses números é a ampla falta de conhecimento e informações sobre tal medida. Resultados da pesquisa “Percepção da População Brasileira sobre a Adoção”, realizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros, mostra o quão alto é o número de pessoas que desconhecem o funcionamento da perfilhação, tendo em vista que esse não é um processo fácil e há poucas informações específicas voltadas a essa necessidade. Da mesma forma, é importante também pontuar a existência de um padrão físico restrito e limitado na escolha da criança, um ponto que agrava ainda mais a precária situação do andamento da adoção. A maioria dos adotantes exige um padrão que não condiz com a realidade corpórea brasileira. De acordo o Conselho Nacional de Justiça, 20% das famílias só aceitam crianças brancas quando, na realidade, 68% delas são negras ou pardas. Embora estejam prontas quase seis mil crianças para adoção, apenas 11% delas se encaixam no ideal dos casais interessados na legitimação de um filho, estipulado devido a forte e atual sociedade racista e preconceituosa em que vivemos. Portanto, em conclusão, é de extrema necessidade e rapidez uma ação resolutiva para tal vivência. Desse modo, o Governo em parceria com o Ministério das Comunicações, tem a urgente obrigação de divulgar sobre o processo de adoção no Brasil por meio de propagandas e das redes sociais, para que essa dificuldade chegue ao fim. Além disso, promover e buscar a conscientização da população sobre preconceito para que os estereótipos preestabelecidos sumam, dando lugar a empatia e solidariedade o mais rápido possível.