Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 04/08/2021
Na telenovela brasileira “Chiquititas”, é retratada a realidade de algumas crianças no orfanato Raio de Luz. Durante a trama, aborda-se de uma maneira leve variados temas relacionadas à realidade do processo de adoção e das órfãs na sociedade, sempre levando as coisas para o lado divertido e feliz. Contudo, fora das telas, a realidade é outra. A burocracia estatal, somada aos preconceitos ainda existentes no país contribuem para a dificuldade de zeras as filas de adoção no território.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que em casos como o de adoção, o mínimo obstáculo pode causar desistências. De acordo com dados da revista Superinteressante, mais de 30% das famílias que adentraram no processo de adoção desistiram pela burocracia do processo ou tiveram seu pedido indeferido por não estarem nos padrão correto (ser pai ou mãe solteiro, negro ou não possuir condições financeiras). Ademais, tudo é muito demorado. Na maioria dos casos demoram anos para se concluir o processo, principalmente pela demora e falta de efetividade por parte estatal, o que desistimula tanto a criança quanto os futuros pais, que tendem a desistir do processo com maior facilidade.
Segundamente, faz se necessário lembra que infelizmente o Brasil continua um país de diversos preconceitos. Segundo informações do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem quase 34 mil crianças e adolescentes abrigadas em casas de acolhimento e instituições públicas por todo país. Na outra ponta, são 36.437 pessoas interessadas em adotar uma criança. Mas a conta não fecha porque 83% das crianças têm acima de 10 anos, e apenas 2,7% dos pretendentes aceitam adotar acima dessa faixa etária, segundo cálculos do CNJ. Em somatória, a relutância de certas parcelas em adotarem crianças negras ou com algum tipo de deficiência só ajudam nessa realidade.
Dessa forma, a fim de que se realize uma mudança em tal cenário, algumas medidas precisam ser adotadas. O governo federal, por meio de Congresso Nacional, precisar iniciar novos projetos de leis a fim de agilizar tais processos, além de promover benefícios à pessoas que se disponham adotar pessoas maiores de 10 anos, promovendo assim uma melhoria considerável nessa realidade.