Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 07/09/2021

A obra literária “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, descreve o cotidiano de crianças órfãs que necessitavam recorrer às ruas para garantir sua sobrevivência, desejando intensamente pertencer à uma família. Outrossim, fora da ficção, percebe-se a existência de impasses no processo de adoção no Brasil, seja pela ausência de debate em sociedade, seja pela carência de incentivos da parte do Estado, tornando visível o descaso com os jovens vulneráveis ​​no país .

Nesse cenário, o salienta-se como causa latente do baixo número de acolhimento legal de menores no território brasileiro, a escassez do diálogo nas instituições de ensino e demais locais urbanos da comunidade. Nesse sentido, o filósofo Arthur Schopenhauer, em sua teoria sobre os limites do campo visual, afirma que um ser humano se baseia-se apenas em suas prórias experiências, desprezando o que acontece ao seu redor. Portanto, tendo em vista a afirmação do estudioso, grande parte da população não se interessa pelo amparo às crianças pelo fato de não saber dos impactos que pode-se gerar, como a diminuição de indivíduos que têm alguns de seus direitos retirados, por exemplo, o que agrava ainda mais o problema.

Ademais, vê-se, também, a ineficiência da propagação de informação como um fator que contribui com a permanência dos índices baixos de adoção no Brasil. Nesse sentido, o estudo do campo matemático, denominado “Teoria do Caos”, expressa que as pequenas mudanças no início de um evento podem trazer consequências inimágináveis ​​no futuro. Por conseguinte, de maneira análoga, fica claro que, se houvesse mais promoção de informação na urbe a respeito dos benefícios da adoção, que são garantir ao vulnerável um lar, segurança e conforto, então, certamente, existiriam cada vez menos menores na situação de abandono.

Dessarte, é necessário, portanto, que o governo federal, como órgão atuante em máxima  administração executiva, possa agir em prol das minorias, por meio da implementação de palestras nas universidades, com a presença de psicólogos que abordem o tema, trazendo depoimentos de adultos que foram acolhidos quando menores; como também, a divulgação de novas campanhas em favor da adoção nas redes sociais, como Twitter e Instagram, e na televisão, a respeito dos processos de adotar um indivíduo. Logo, dessa forma, será possível promover na sociedade brasileira, maior anseio em acolher ao próximo, erradicando o número de crianças deixadas por seus pais, além de proporcionar o desenvolvimento de uma comunidade mais empática, que não vê o ato de adotar como um tabu , mas sim, como uma gesto de amor.