Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 24/09/2021

Na série canadense ’’ Anne With An E ‘’, é retatada a história de dois irmãos, Sr. e Sra Coutberth que buscavam adotar um menino para ajudar em sua lavoura, mas, para surpresa de ambos, ir uma menina: Anne. Ao longo da trama, embora ela conquiste o carinho de seus novos pais, para ter uma demonstração como o problema da idealização de um perfil para adoção persiste até hoje. Nesse sentido, é válido analisar uma demanda por perfis esteriotipados, bem como o descaso para poder judiciário como principais impasses no processo de adoção no Brasil, um fim de proporções efetivas para sanar essa problemática.

É lúcido, em uma primeira observação, considerar que os critérios pré-selecionados pelas famílias dificultam o processo. De acordo com o Cadastro Nacional da Adoção, entre os pretendentes: 46% não aceitam crianças da raça negra, sendo que 66% delas se encaixam na classificação; 64% não aceitam adotar irmãos, enquanto esses representam 57% dos disponíveis. Os dados correspondentes como raízes preconceituosas que ainda estão fixadas em nossa sociedade e comprometem a vida de muitos jovens. Quanto a idade, a situação também é preocupante: os futuros pais optam por crianças, no máximo, 6 anos, embora que quase 90% do total tenha idade superior. O que deixa claro a urgência de políticas públicas para combater a questão.

É importante mencionar ainda, que no Brasil, a metodologia de adoção tem se definido em relação à lentidão da justiça, que devido a burocracia extremamente excessiva, faz esse processo durar anos, tornando-se exausto tanto para aqueles que pretendem adotar, como para as crianças que ficam na expectativa de ganhar um lar. É válido expor ainda, que desde Março de 2015, a adoção para casais homoafetivos é reconhecido em nosso país como adoção homoparental, sendo reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, no entanto, esses casais enfretam diversos preconceitos no processo adotivo, visto que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), cerca de 55% da população é contrária ao perfilhamento de crianças por essas pessoas.

Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para sanar como lacunas a respeito do problema. Para que o processo de adoção seja menos exaustivo, exija que a mídia, por meio de novelas, jornais e propagandas, conscientize e incetive adoções que independam do perfil dos jovens e, com isso, eles podem desfrutar mais rápido de conforto e segurança. É necessário ainda, que as escolas, através de palestras, ajude as pessoas a quebrar os paradigmas associados ao preconceito com a união homoafetiva. Somente assim será possível promover o bem-estar social e garantir um lar com amor para todas as crianças.